quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Corro comigo!

"A perseverança não é uma longa corrida; ela é muitas corridas curtas, uma depois da outra."
Walter Elliot
Eu comigo!

Mesmo impossibilitada de realizar qualquer tipo de prova, senti vontade de aqui expressar algo para que não me percam da lembrança em me ler.Para começar passo a explicar qual o real motivo da minha interrupção nas visitas ao asfalto.Tal como já tinha referenciado no post de 5 de janeiro, uma dor aguda na zona da anca obrigou-me a desistir do objetivo de cortar a meta na corrida dos reis. Após consulta obrigatória no ortopedista e realizados exames (ecografia e RX), o diagnóstico deste último podia ser mais simpático: "Ligeira esclerose subcondral acetabular bilateral.."Numa tentativa de traduzir isto em algo compreensível, "esclerose subcondral" é uma doença crónica nos ossos, principalmente na zona das articulações. Deve-se  a um aumento da massa da densidade óssea devido à ausência da cartilagem hialina. É "acetabular bilateral" pois é na cartilagem  dos acetábulos  (estrutura óssea existente no quadril que se articula com a cabeça do fémur) de ambos os lados.Em suma, estou "ligeiramente" tramada!Feito o diagnóstico, o discurso do médico foi o expectável: descanso, sessões de fisioterapia e... Dolenio.Perante tal cenário, vi-me obrigada a manter-me sossegada durante duas semanas, até a dor atenuar e entrar na fase de dissipação. 2ª consulta: Já sem dores, podia efetuar caminhadas e bicicleta estática. Sem vontade para frequentar um ginásio consegui adquirir uma bicicleta estática, com várias e interessantes funcionalidades,  para colocar as pernas em movimento. 3ª consulta: duas semanas mais tarde escutei o que ansiava ouvir: "Pode começar a correr, mas apenas em pista tartan e aumentar a distância apenas no caso de não sentir incomodo."Finalmente tirei as sapatilhas do armário e limpei-lhes o pó na pista do Complexo Desportivo da Costa Grande. Pretendia correr apenas 10 minutos, para testar a articulação. Mas além dos 10 vieram mais 7 e 3 km feitos. Senti-me como uma criança que recebe um presente por bom comportamento. Tive vontade de pular de contentamento. O animo voltou e a esperança de voltar às provas também. A partir daqui foi tentar alternar bicicleta com a corrida. Uma corrida controlada, realizada e orientada ao meus ritmo, à minha condição e à minha disponibilidade. Do coletivo passei a correr comigo! Seria um erro correr em grupo, nesta minha etapa. Uma aceleração inusitada provocada pelo entusiasmo pode arruinar a lenta recuperação que estou a tentar edificar.Mas o grupo já ressentiu esta ausência, embora lhes seja compreensível. Habituada a treinos pré definidos, horas marcadas e muita conversa pelo meio, ter de cortar com esta animosidade, mesmo que temporariamente, tornou-se estranho: é um pequeno espaço vazio, são conversas adiadas, as novidades desconhecidas, as "discussões" indiscutíveis... sinto falta!Atempadamente regressarei. Enquanto isso, a minha conjuntura física atual exige treinos solitários. Corro comigo e com os meus intentos e expectativas. Corro com a pretensão de lapidar a minha recuperação. Corro com a minha intensa vontade em poder correr mais. Corro pouco,  mas corro. Não posso terminar sem deixar aqui um agradecimento muito especial a quem, de uma forma ou de outra, se preocupa comigo e vai questionando como está a decorrer a minha recuperação (além de me "darem na cabeça" se, por qualquer razão, abuso.)Agradeço também aos elementos do meu grupo, nomeadamente ao Fernando Cerqueira, pela preocupação em ligar e perguntar como progride a reabilitação.Em breve regresso... espero!! 
 
 


  , 

 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Jantar de Veteranos



"O restaurante Zé da Calçada é, ao nível da gastronomia 
típica da região, a casa mais célebre da cidade de Amarante. O restaurante Zé da Calçada, é caracterizado pela sua localização na zona histórica da cidade, pela varanda sobre o rio Tâmega, pelo requinte no atendimento e, especialmente, pela sua gastronomia.
Com um ambiente rústico e primorosamente adornado, o restaurante Zé da Calçada é um local marcante para aqueles que por lá passam." 





Uma parte do grupo à mesa...
 Foi neste ambiente discreto, acolhedor e tracejado de história que se realizou o já típico jantar de Natal (um mês depois) do nosso grupo de veteranos.  
Corridas práticas à parte, a noite prometia descontração, muita conversa e... algum trabalho.
Outra parte do grupo...
Perguntam: Trabalho num jantar de convívio?? É isso mesmo! Apesar de eu não estar no ativo há umas semanas, o trabalho de grupo continua. Como representante do mesmo, nada melhor do que aproveitar a reunião de todos à mesa, para tratar de algumas burocracias inerentes às personalidades no setor do atletismo: nós!!
Entre preenchimento de fichas de inscrição, de assinaturas de renovação e exames médicos em marcação, o jantar começou. 
Prato principal
O que se poderá dizer de um jantar de veteranos de atletismo? Muita conversa sobre os mais variados assuntos, mas o predominante foi... corridas, treinos e provas!
Sentia-me impotente. Queria também dizer algo sobre o assunto, mas a minha realidade atual está em "banho maria", a "marinar". Aquela sensação agre de estar na "minha praia" mas não ter sitio onde colocar a minha toalha...
Fragilidades à parte, direciono-me ao jantar em si. 
Quando se fala em jantar de grupo pressupõem-se abuso na ingestão de comida e bebida. Neste caso foi tudo bem equilibrado. As entradas foram intervaladas. A sopa de legumes antecedeu o prato principal. Este tinha uma apresentação agradável e nutricionalmente completo. Batata assada (hidratos), lombo assado (proteínas) e bróculos (vitaminas).
As deliciosas sobremesas... ops!
A refeição completou-se com uma vasta variedade de sobremesas ao dispor do apetite e gosto de cada um (esta parte deveria ocultar!)
Grande Jaime Pereira
O jantar finalizou com um simples e metódico discurso do nosso "dinossauro" do asfalto, Jaime Pereira. Um discurso que suscitou troca de ideias, manifestação de opiniões, alguma controvérsia e reflexão sobre o assunto apresentado. O tempo irá ditar qual o resultado do tema lançado. 





Em jeito de conclusão, foi uma noite recheada de boa disposição, de moderada alimentação e de temperada convivência.
Nós!
Um grupo de corrida não é só aglomerar para correr, é também reunir para confraternizar.
Hora de saída. Despedidas feitas companhias desfeitas... temporariamente!  

Ao grupo em geral, bons treinos e muito asfalto percorrido!
A mim, em particular, "vê se recuperas rápido, que isto de ser assistente não tem piada nenhuma"! 

 Fotos do jantar




domingo, 5 de janeiro de 2014

1ª Corrida dos Reis...

... a minha primeira corrida do ano... e a minha primeira desistência!
Mas o ideal é mesmo ler a história.

Apesar das notícias alarmantes sobre o estado do tempo na cidade de Paredes, na parte da manhã do dia de ontem (04/01) fomos presenteados por um final de tarde frio mas sem chuva. 
A Praça José Guilherme foi o palco desta 1ª Corrida dos Reis. Aos poucos os atletas iam chegando e emoldurando o local, totalizando algumas centenas de participantes. 
Sendo uma prova fora do calendário normal do grande grupo, só eu e o Davide é que estivemos presentes a representar as cores da A. D. Amarante.
Poucos, mas bons! :)
 Mas, como parecíamos dois lobos solitários, juntou-se a nós o nosso "brother" Francisco Freitas. Um amigo que já faz parte dos nossos itinerários desportivos... e da fotografia!
Um trio de luxo! :)
E como não há duas sem três, Amarante Running Team também marcou presença. Os dois pequenos grupos fundiram-se e originaram este quadro amarantino. (Machado, Costa, Filipe, Davide e Paulo. Natércia e eu) O Francisco foi o fotógrafo!
Aqui está AMARANTE!
Já passavam alguns minutos das 19h quando a prova começou. 
Muito cautelosa, fiz o primeiro quilómetro com alguma precaução pois desconhecia o percurso. A partir do 2º km comecei a sentir uma pequena dor na anca, exatamente a mesma que me deu em Vila do Conde. Abrandei e tentei controla-la. O percurso era tudo menos acessível. Concentrado no centro da cidade, ora subia ora descia. Não tive oportunidade de o percorrer na sua totalidade. Ao 4º quilómetro já não conseguia controlar a dor, mesmo pressionando a zona. Sentia que corria a coxear e a dor refletiu-se nas minhas expressões. Disse a mim mesma que tinha chegado a hora de parar.  Não dava mais!! Continuar a correr seria um erro e pura teimosia. Desliguei o gps. Sentia as lágrimas a escorrer pela face. Um misto de tristeza, de dor e impotência apoderaram-se de mim. As pessoas que assistiam tentavam dar-me força, mas ao olharem para o meu rosto... entenderam que eu já não iria cortar a meta. 
Um elemento da organização ao ver-me a coxear questionou se precisava de assistência. Aleguei que não, apenas precisava do caminho mais curto para chegar à Praça. Precisava urgentemente de parar... mesmo de caminhar. 
Num universo de quase 40 provas realizadas em dois anos, foi a primeira vez que decidi desistir. Serve-me de alento o facto desta desistência ter origem na prudência e não na fraqueza. 
Afinal, só não sofre destes contratempos quem pratica muito "sofaismo"
  • Parabéns a todos os meus amigos que finalizaram a prova. Apesar de durinha, terminaram-na satisfeitos por mais uma participação cumprida. 
  • Agradeço a todos que me dirigiram palavras de força e motivação. Foram impecáveis e fantásticos. São palavras que caem bem e sei que foram de coração.


As próximas corridas serão confinadas a recintos médicos e de  fisioterapia. As suadelas resumir-se-ão aos exercícios específicos prescritos por profissionais.
 Ao asfalto digo... até breve!



domingo, 29 de dezembro de 2013

O primeiro aniversário




Parabéns, CORRIDAS E SUADELAS!

Um ano em revista... pelos dorsais!

Há um ano atrás decidi criar este espaço no sentido de registar todas as minhas aventuras pelo mundo das corridas. O resultado não podia ter sido mais positivo. 

Foi um ano em que cada participação nas provas transformou-se numa história a documentar, num registo a ler e num evento a relembrar. 

Apesar de ser um blog de cariz pessoal, o grupo ao qual pertenço, também é aqui evidenciado nas odisseias do asfalto, bem como as cores que represento (A.D.Amarante)

Apesar da era dos BLOGS já ter conhecido melhores dias, continuo a considerar um ótimo veiculo de informação e partilha para quem tem interesses em comum. Neste caso, o mundo das corridas e toda a sua envolvência. 
Obrigada a todos aqueles que me têm acompanhado nesto mundo da blogosfera e às, quase, 8000 visitas feitas a este espaço, ao longo destes últimos 365 dias. 
Agradeço a todos os que perderam alguns minutos para ler cada redação e que tiveram a amabilidade e simpatia de comentar.
Obrigada a todos os elementos do meu grupo que têm contribuído, de alguma forma, neste meu percurso e a todos aqueles que o divulgam e partilham.
Espero um novo ano repleto de novas histórias para contar e partilhar e que as ideias me surjam fluentemente. Aguardo a vossa visita e que a leitura vos seja aprazível e enriquecedora.
A todos os atletas, leitores, seguidores, amigos e mais uma infinidade de pessoas... um excelente ano de boas corridas e muitas suadelas.
Até 2014!!! 




domingo, 22 de dezembro de 2013

S. Silvestre de Vila do Conde

Estiramentos, inflamações ou outro tipo de palavrão que origine uma lesão, é sempre motivo de revolta interna e contradição, para quem gosta de dar corda às sapatilhas. Pior ainda quando se pretende participar numa prova fantástica em termos de percurso. 
Apesar das indicações dadas pela minha fisioterapeuta serem assertivas quanto à minha não participação na prova, eu quis arriscar e fui...
Isolada, com as cores da A.D. Amarante
Fui com a ideia que seria impossível melhorar o meu tempo nesta distancia... dado o meu condicionalismo de última hora!
Fui com a ideia de participar, e, se não conseguisse... abrandar, caminhar... só mesmo se não fosse possível, desistir.
Fui com a ideia de aproveitar a companhia dos amigos e viver o ambiente de mais uma festa desportiva... sem preocupações.
Com este espírito desloquei-me a Vila do Conde, com o meu amigo e atleta, Francisco José, para mais uma S. Silvestre. Avizinhava-se uma prova tranquila e sem problemas de tráfego de atletas no itinerário escolhido. Talvez pela hora tardia da prova ou pelas várias corridas a realizar neste mesmo fim de semana, já para não falar nos típicos jantares de Natal, o número de participantes não excedeu as quatro centenas.
O meu grande amigo povense, Tomé Marques Arteiro, juntou-se ao nosso duo e completamos um magnifico trio de corredores de pelotão.
o trio formado: Francisco, Elisabete e Tomé

Enquanto procedia ao aquecimento a minha mazela não se estava a portar mal. Sentia-a ali, mas de forma tranquila, meio alerta meio adormecida. Apesar do enorme receio em acordá-la, alinhei atrás do pórtico de partida. Aqui tive o prazer de encontrar e conhecer, pessoalmente, um grande atleta veterano de Espinho, Belmiro Rodrigues.
O tiro soou, a malta arrancou e a adrenalina começou.
Bem, devo dizer que, para mim, começou o receio de piorar o que já não estava bom... e com alguma razão!
Ainda não tinha percorrido 400 m, o  Tomé passa por mim e pergunta se estou bem. Em simultâneo sinto uma dor mais forte a irradiar pela perna e alertei-o que talvez fosse desistir. Abrandei e procurei um ritmo confortável de forma a não forçar.
Estava eu na minha pequena luta de controle de passada quando sinto, bem atrás de mim, um grupo de atletas bastante animado. Um aspeto que me chamou a atenção foi, em alguns momentos da corrida, abrandarem o ritmo para esperar pelos membros mais atrasados. O espírito deles era a diversão e a camaradagem. Ali ninguém estava na luta por tempos fenomenais mas viver o lado mais descontraído da corrida ( Carpe Diem).
Tugas na Estrada
Foi com essa descontração que um dos elementos desse grupo, verificando pela camisola, que eu era amarantina e, talvez, por sentir a dificuldade em que me encontrava a correr, decidiu meter conversa.
Quando dei por ela, já todos os elementos soltaram o meu nome no ar. Estava, literalmente, incluída naquele magnifico grupo, até à meta.
Uns  gritos ali, uma piada acolá, uma corrida ao café da avenida mais à frente, uma paragem para a foto logo de seguida, umas palavras de incentivo sempre que a dor despertava, uma  fila indiana nos últimos kms, uma canção de Natal para quem quis escutar, uma chamada mais pelo meu nome para verificar se ia ali e bem... e um espetacular abrandamento na meta para que ficasse registada a fantástica chegada dos verdadeiros atletas: Tugas na Estrada... e eu, claro!
Foi neste ambiente salutar de alegria e boa disposição que fiz a minha S. Silvestre de Vila do Conde. Um ambiente de camaradagem onde não há espaço para desconhecidos. Somos atletas e basta!

Quanto ao meu empeno... bem, vai obrigar-me a fazer gazeta aos treinos durante uma semana, a correr bem!
Tugas no pódio
Brinde à "Tuga"






Notas:

  • Francisco José, obrigada pela partilha da viagem, pela companhia e pela amizade, em mais uma "aventura no asfalto". Parabéns pela excelente prova que fizeste!
  • Tomé Arteiro, obrigada pela receção inusitada ao auxiliar-nos na localização do evento, na tua presença antes e depois da prova e pela tua afeição. Desculpa a preocupação que te causei. 
  • Parabéns ao Baltasar Sousa, pela organização deste evento. A meu ver só pecou pelo horário da sua realização. Julgo que ao realizar-se numa hora mais acessível (18h-19h) o número de participantes aumentava consideravelmente. 
  • Um imenso obrigado aos TUGAS DA ESTRADA, que me proporcionaram uma prova fantástica e divertida, quando pensava que poderia não a conseguir fazer. Foram uma fonte de motivação aliada a uma excelente companhia! Continuem assim e espero encontrar-vos  em futuras corridas. 


A todos um excelente Natal e muitas corridas para desgastar os "pecados" desta época festiva! :)




quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

20ª S. Silvestre do Porto

Resenha histórica

Conta a história que, Cásper Líbero, famoso jornalista brasileiro, inspirou-se numa corrida noturna que tinha assistido em França, e promoveu  a primeira S. Silvestre no Brasil. Esta arrancou  à meia noite de 31 de dezembro de 1924 com 60 atletas dos quais apenas 48 finalizaram a prova.
O facto do papa São Silvestre ter morrido num dia 31 de dezembro (dia também escolhido pela igreja católica para o canonizar) está na origem do nome dado à corrida.
Ao longo do tempo esta competição sobreviveu a vários contratempos históricos como, a Revolução Constitucionalista de 1972 e a Segunda Gerra Mundial.  Tornou-se, então, na mais famosa prova de rua do Brasil.
A corrida de S. Silvestre atravessou o oceano e passou a fazer parte das agendas desportivas do final de ano de várias cidades da Europa.
Portugal não foi exceção. Nos últimos anos são cada vez mais as cidades a promover uma corrida de S. Silvestre e colocar todo o tipo de atletas a correr pela cidade, à noite, nos últimos dias de dezembro. A finalidade é terminar o ano a correr.

S. Silvestre do Porto

20 anos decorridos desde a sua 1ª edição, a corrida de S. Silvestre do Porto bateu o seu recorde de participantes este domingo passado (15 de dezembro). Foram cerca de 16 mil os que encheram a Avenida dos Aliados para mais uma magnifica corrida e caminhada por algumas artérias da invicta. Para a maioria dos aderentes foi uma oportunidade para vivenciar a imensa festa do desporto e toda a sua envolvência. 
Participantes assíduos nestas andanças, o nosso grupinho não faltou ao desafio. Embora faltassem alguns elementos por ser dia de passeio, aqui estávamos nós.

A "família" reunida!
Muita conversa, muito passeio e um cafezinho pelo meio, a hora da partida aproximava-se. Os atletas surgiam de todo o lado. Os Aliados estavam duplamente iluminados pelo cintilar natalício e o brilho dos corredores...
Encaminhamo-nos para o local de partida. Olhava à minha volta e tentava reconhecer alguém... e reconheci... e chamei... pelo Francisco!!! Já é praxe conseguir encontrá-lo (ou ele encontrar-me) em todas as provas que participamos! Fantástico! 
A bracejar num mar de gente!
Os atletas estavam divididos por escalões de corrida. Já posicionada no meu ponto de arranque, observava em redor e era abismal o mar de gente que o meu olhar alcançava. 
De onde estava não conseguia visualizar o pórtico da partida. Não escutei o tiro da largada, a música introdutória da prova nem o pedido de casamento feito...  
00:05:40 marcava o relógio da partida quando passei pelo pórtico. O desafio tinha começado. Não me refiro ao desafio de correr, mas sim à aventura em conseguir um espaço para colocar os pés e tentar correr sem atropelar ou acotovelar alguém. Sem cair ou fazer cair!
Sentia-me bem, mas a mancha humana dificultava o avanço. A minha concentração estava voltada para os que corriam à minha esquerda, os que sentia atrás e a possível direção que poderiam tomar, os que circulavam à minha direita, a velocidade que iam os da frente e a perspetiva de encontrar uma aberta nas diagonais... sem tropeçar em alguém. Nas ruas estreitas tive mesmo de pedir, educadamente, para caminharem mais junto ao passeio. Uma verdadeira odisseia! Cansei-me mais neste jogo de alerta dos sentidos do que a correr. 
Branco em realce!

Fazer bons tempos nesta prova só mesmo a elite, os atletas mais "pro" e os que partem mais à frente. Quem vai no grosso do pelotão é obrigado a abrandar o ritmo para ziguezaguear e conseguir encontrar uma réstia de  espaço para prosseguir caminho. Quando acha que consegue um bom espaço... lá aparece mais alguém a abrandar ou a caminhar...
Mas a finalidade não são tempos. São o terminar, o participar, o sentir a magia da corrida, o som dos passos no asfalto, os gritos de alegria, a adrenalina, a suadela, os sorrisos, o cansaço satisfatório...  um sem número de fatores positivos que justificam a, cada vez mais, elevada participação de corredores nesta prova. 

Aniversário do Jaime
Aniversariante

A coincidência quis reunir, na mesma data, mais um evento a realçar: o aniversário do Jaime.
Iguarias pós prova!
Prova terminada, medalha ao peito e roupa trocada, todos os elementos do grupo seguiram até aos Clérigos para mais um momento festivo. Já nos esperava um bolo de aniversário, bem caseiro e umas bebidas para acompanhar.
Vamos à missa do galo?

Parabéns, desafinadamente, cantados na escadaria dos Clérigos, brinde feito, bolo comido em amena cavaqueira, fotos para registar o momento, piadas e muitas gargalhadas... melhor quadro para terminar uma prova... impossível!

  • A todos os elementos do grupo, muitos parabéns pela participação e pelo desempenho. 
  • Uma especial felicitação à Clara pela sua primeira S. Silvestre realizada!
  • Votos de melhoras rápidas ao Paulo que, lamentavelmente, não pôde participar nesta prova.
Próximas suadelas...
- S. Silvestre de Vila do Conde
- Meia Maratona Manuela Machado




domingo, 8 de dezembro de 2013

Free Running do Marão

Aventureiros de sábado de manhã!

Há quem trabalhe ao sábado de manhã. Há pessoas que têm responsabilidades familiares. Outros ainda apreciam o conforto da cama e ficam a "preguiçar"... e há aqueles que desafiam uma manhã fria e vão... correr! 
Ontem fiz parte deste último grupo, na companhia de mais umas boas dezenas de amantes da Natureza, na emblemática freguesia de Aboadela. Finalidade: participar no Free Running do Marão. Para quem desconhece este consiste num treino de convívio e lazer para os praticantes desta modalidade, sem caráter competitivo.
Ainda não eram 9h da manhã e já estava no local da concentração, com o Manuel Fernandes (ambos a representar o A. D. Amarante Trail Running) e o padrinho deste evento, Carlos Natividade.
Carlos Natividade, Manuel Fernandes, eu e Orlando Correia
Muito frio mas muito calor humano pronto para percorrer os trilhos definidos pela organização (Trail de Portugal).
Olhei à minha volta e comecei a ver que eram todos, ou quase, bons atletas. Senti-me, momentaneamente, intimidada. Mas isto depressa passou quando, aos poucos, se organizou um pequeno grupo de corrida, com a chegada do Orlando Correia. 
Após um pequeno discurso sobre o percurso, o local, o motivo desta iniciativa, por parte do organizador deste evento, Bruno Silva, deu-se inicio ao treino.
Informações gerais

O percurso inicial era suave, próprio para o aquecimento. Eu, o Orlando, o Manuel e o Rui R. (atleta que alinhou no pequeno grupo) seguimos juntos. A partir do 2º quilómetro as subidas em terreno incerto obrigaram-nos a reduzir o ritmo e aumentar a conversa. À medida que subíamos a paisagem tornava-se um alvo a apreciar.
Mais um pequeno esforço... ufaa!
O "soalho" foi muito diversificado: Caminhos estreitos e escorregadios pela ação da geada formada. Encostas acentuadas, repletas de paus soltos e folhas secas. Ficamos contentes quando encontramos um caminho com o piso mais linear... mas por pouco tempo. As ladeiras batiam-nos de frente e o remédio era mesmo caminhar.
Ao sexto quilómetro houve um agrupamento dos participantes, para que ninguém ficasse para trás ou se perdesse.
A partir  daqui já era a descer até ao Poço do Moinho. Para o atravessar tínhamos umas magnificas pedras desgastadas pela ação da água, escorregadias e pouco seguras. Um convite a colocar o "pé na poça" à menor falha. 
Se escorrega... "pé na poça".
Seguimos por caminhos estreitos, empedrados e moldados com dejetos bovinos. Aqui o desafio era ziguezaguear para não os pisar. 
Mais uma curta subida até ao ponto de abastecimento. Uma mesa improvisada estava recheada de laranjas, bananas, pão, bebidas isotónicas e água, aguardava a nossa chegada. Pausa para ingerir algo pois o corpo já pedia. 
Pausa para abastecer!
Minutos depois já estávamos a galgar uma fraga com piso leviano. O cume deste caminho era uma magnifica vista sobre as várias regiões circundantes.  Estávamos num dos topos do percurso. Paragem obrigatória para fotos. 
Num dos topos!
O desafio que se aproximava rejubilava os olhos dos mais experientes mas intimidava os menos calejados... como eu. O quadro era uma encosta bastante íngreme, atestada de pedras soltas e inconstantes. Quase subíamos de nariz no chão tal era a inclinação. Mesmo a caminhar devagar as rotações cardíacas estavam no máximo.
A temível subida
Mas a sensação de chegar ao ponto mais alto do percurso fez esquecer o extremo esforço a que fomos sujeitos. A sensação de estar "on top of the world" foi única. 
Com 13 quilómetros feitos, faltavam apenas 4 para terminar. Como seria de esperar, a última parte foi sempre a descer. Uma descida perigosa, com muitas pedras, extremamente irregular e assustadora. Foi necessária muita concentração para saber onde colocar os pés. À menor distração, uma entorce ou uma queda eram certas. 
A perigosa descida!
Quando a descida ficou mais suave, o Orlando juntou-se a mim e ao Rui e mantive-mo-nos juntos até ao final. 
Foram 17 quilómetros de puro prazer de correr/caminhar pela Natureza, num ambiente descontraído onde o convívio, a animação e a amizade imperou. Um treino onde tivemos oportunidade de testar as nossas capacidades físicas, num meio mais agreste mas muito natural, sem necessidade de ir ao limite. 
Pessoalmente, adorei participar neste evento por toda a envolvência e descontração aliada ao desporto em montanha. 

P.S. Este Free Running do Marão foi associado a uma corrente de solidariedade para ajudar a pequena Renata Tavares Oliveira. Mais um bom motivo para participar!

Agradecimentos:
  • Agradeço ao Bruno Silva, pela excelente organização deste Free Running, onde não faltou nada. Bem orientado, com uma grande variedade de trilhos e um nível de dificuldade moderado. Agradeço também a oportunidade inusitada que me deu em conhecer Carlos Natividade, atleta de referência.
  • Manuel Fernandes, obrigada por me fazeres companhia quer na representação do grupo A. D. Amarante Trail Running, como também ao longo da maior parte do percurso. 
  • Obrigada ao Orlando Correia pela companhia, pelo incentivo e pela amizade partilhadas neste treino... durinho. 
  • Ao Rui Ribeiro, obrigada por teres alinhado comigo nesta aventura, do inicio até ao fim. 
  • Um obrigada especial a Viver Canadelo por todo o apoio prestado e pelo magnifico registo fotográfico feito. 
A todos os participantes, parabéns por terem manchado de cor, alegria e energia uma parte da imponente serra do Marão.