terça-feira, 28 de julho de 2015

Pelo Gerês...

As férias iniciaram com nota 10. Quem me lê pode deduzir, pelo título do post: "A rapariga decidiu fazer uns treinitos, para os lados do Gerês."
Correr está dentro dos planos de férias, mas há exceções. Este fim de semana teve, como prioridade, caminhar em trilhos e desfrutar da paz que o Gerês tem o dom de ofertar.
Vista para a Albufeira

24 julho, chegada a Vilar da Veiga. Após colocar os pertences na "alegre casinha" com vista priveligiada para a Albufeira da Caniçada, foi necessário abastecer o frigorífico. De mochilas às costas, seguimos em direção à Vila do Gerês, para 4 km de caminhada. Mochilas atestadas o retorno foi feito com muita conversa e animação. 
A noite convidou a um passeio pela vila. Inadvertidamente, reparo numa indicação a anunciar um espetáculo de "Stand up Comedy", com Zé Pedro. Entre olhares de concordância, seguimos para o auditório. Embora imprevisto, acabou por ser um excelente momento de boa disposição.
25 de julho acordou com um sol radiante, prenúncio de um dia quente e convidativo para aproveitar o que a natureza tem para nos presentear.
Regra: não olhar para baixo!
Após uma rápida visita à Pedra Bela e fotos da praxe, seguimos até à Portela do Homem. Deixámos ali o carro e caminhámos até à Ponte de S. Miguel. Aqui  visualizámos a queda de água e o poço que atrai imensos visitantes. No final da ponte iniciamos o caminho de acesso às Minas dos Carris, mas antes ainda deu para registar a queda de água e o poço cristalino.
Seguimos pelo trilho empedrado, tendo como companhia uma vegetação densa, o som melodioso da água a correr, o chilrear dos pássaros e o esvoaçar colorido das borboletas. Do nosso lado esquerdo engalanava-se a Encosta do Sol.
3 km percorridos, fizemos uma pausa para ir a banhos numa das magníficas lagoas do Rio Homem. As águas limpidas e transparentes convidavam a permanecer ali o resto do dia...
Delicioso!
... mas o nosso intuito não era esse. Ingerimos algo ligeiro e colocámos os pés no trilho. O meu estômago estava virado do avesso devido a um café que tomei ao pequeno almoço. Tive de lutar contra a má disposição durante uma boa parte do caminho. Concentrei-me no piso e na paisagem e a indisposição dissipou-se.
Parte fácil do percurso! :D
À medida que os kms passavam, a vista era extremamente soberba. As pedras e pedregulhos acompanharam-nos em 98% do percurso. A vegetação deu lugar a uma zona árida. Estavámos já a uma altitude significativa e o calor apertava. Valeu-nos uma brisa que consolava a passada.
Soberba!
Pudemos apreciar as cabras a saltitar, as vacas a pastar, mas, por incrível que pareça, não encontramos cobras a rastejar...!
Apanhada...
10 km feitos e as Minas dos Carris apareceram no nosso campo de visão. Assim que transpus aquele que foi, outrora, o portão de entrada, o chão estava atapetado de excrementos, essencialmente, bovinos. Mais parecia a casa de banho do público animal. A visita foi rápida pois o cheiro era insuportável, mas a paisagem era deslumbrante.
A chegar...
A descida foi feita pelo mesmo caminho, mas exigiu uma maior concentração. Um pé mal colocado e poderia ser a ruína do passeio. Parámos apenas uma vez para beber água e comer fruta. Aproveitámos para absorver toda aquela imponência natural. Duas horas e pouco após termos iniciado o retorno, chegámos à Portela do Homem. Momentos depois já absorvíamos aquele verde extasiante e arrebatador do parque.
Única!
Para terminar o dia, estiquei as pernas na varanda, tendo como pano de fundo a Albufeira e a calma que a água me transmite. Descontração total.
Domingo foi dia de seguir desde a Pedra Bela até à Cascata do Arado de mochila às costas. Desta vez o trajeto era bem mais fácil.
Fiquei um pouco dececionada quando chegámos à Cascata e a água era quase inexistente. Galgámos as pedras nuas do rio e estendemos a toalha junto a uma das pequenas lagoas.
Alguém descobre as 2 GREEN?
Aquilo mais parecia uma romaria. Os visitantes trepavam pelas pedras, pelos caminhos acidentados que ladeavam a cascata, tudo era válido só para chegar à queda de água. Com pouco sossego, decidimos almoçar e deitar os pés à estrada. De regresso, os locais destinados para piqueniques estavam repletos de familias. O Gerês abarrotava de visitantes.
Para terminar a nossa estadia decidimos usufruir das águas do rio Caldo e Gerês, a escassos metros da casa que nos acolheu.
Despedida
O registo fotográfico não foi extenso. A nossa preocupação era sentir e gravar na memória todos os locais e cenários que visualisámos.
Na hora da partida a nostalgia apoderou-se da alma. A vontade de ficar naquela envolvência apaziguadora, naquele verde relaxante, naquele cheiro a paz... era enorme. Mas as obrigações trouxeram-nos à realidade.
O Gerês é encantador pelos diferentes tons naturais, pelas magestosas elevações, pelos seus recantos mágicos, pela especificidade inerente e por ser... o Gerês.
Um fim de semana neste paraíso soube, definitivamente, a pouco... mas o pouco que foi, foi estupendo!


segunda-feira, 20 de julho de 2015

A "Suadela" do piquenique!


O grupo
Identifiquem a diferença entre esta foto e a seguinte!


Verão, calor, sol, natureza... tempo convidativo para uns piqueniques ao ar livre e deixar, por um dia, o treino de lado. 
Ontem, 19 de julho, a maioria dos elementos do grupo de atletismo dos veteranos da Associação Desportiva de Amarante, reservou o dia para a confraternização. Entre amigos, familiares, comida, bebida, conversa e risadas, o domingo foi de puro convívio e animação. 
Esmiuçando esta introdução, tal como tem sido hábito, nos últimos 2 anos, no final da "época" de provas, resolvemos realizar um piquenique para repor animos, atualizar conversas, travar novos conhecimentos, contar piadas, reacender risadas e, a melhor parte, comer e beber. Não vou citar o nome de todos os presentes pois, além de sermos cerca de 30, quando chegassem a metade da lista já estariam a bocejar. Assim, só pelas fotos introdutórias dá para imaginar a dimensão do banquete e as carinhas larocas presentes.
A Lagoa de Freixo de Baixo foi, mais uma vez, o local selecionado para a festança. Um local aprazível, com um espaço verde fenomenal aliado uma piscina natural onde é possível ir a banhos, quer de água quer de sol.
Como a procura do lugar é muita, tivemos que ir cedo para conseguir mesas no sitio mais amplo. 
Desta vez pude contar com a presença dos meus pais e meu irmão, o que tornou o dia ainda mais interessante. 
Apeamos os carregos típicos de quem pensa levar a cozinha arrastos para um dia fora de casa, e fizemos o reconhecimento do local para preparar o estômago para o repasto. Outros elementos agruparam-se no bar ali existente para o cafézinho vital que lhes iria dar alento para a Sauna que os esperava junto ao grelhador.
Conversa ali, brincadeira acolá, passeio mais além, chegou-se a hora de "aquecer" as grelhas e cozinhar as carnes. 
Tudo foi naturalmente organizado: uns grelhavam, outros auxiliavam, alguns apreciavam, uns conversavam e outros fotografavam. Tarefas devidamente divididas, como se pode deduzir. 
Hora de manducar. Pratos, talheres, copos saltaram das pilhas de sacos, os pratos começaram a ficar ornamentados e coloridos. Os copos dificilmente estavam vazios (atenção, bebi pouco!) porque as "fontes" pareciam inesgotáveis.
Quanto às sobremesas era cada uma a melhor, o problema mesmo era  existir espaço no estômago para tanta coisinha boa. Não posso esquecer de referir que, durante este período de "atestar o depósito", a diversão foi imperatriz.
Seguiu-se o momento do café na esplanada. Parte das cadeiras ali existentes foram rapinadas por nós. 
O resto da tarde foi passado entre conversas, muita animação, banhos, fotos, reabertura da parafernália de sacos e arcas para a segunda parte do festim. 
Finalizou-se o dia com a foto do grupo para mais tarde recordar.
Nestas linhas resumi o dia de ontem que foi, sem sombra de qualquer dúvida, fantástico. São estes momentos de descontração, camaradagem e convívio que ficam e que ligam as pessoas. 
A todo o grupo obrigada pelo grande dia e no próximo ano há mais!

Segue-se o link das fotos. (É só clicar em FOTOS)





quinta-feira, 16 de julho de 2015

Destino... 42 km!




Há um ano atrás, por esta altura, já tinha iniciado o plano traçado para fazer a maratona. Foram 18 semanas de disciplina, empenho, dedicação e... muito cuidado para não atrair lesões. Durante esse período aprendi a controlar a minha ansiedade, a moderar o esforço e a obedecer ao plano mesmo quando o corpo ou as circunstâncias me desfocavam.
As 18 semanas culminaram numa prova tranquila em que o objetivo foi concluir, bem, feliz e sem mazelas. O propósito foi conseguido! 
O que ficou da maratona? Tal como alguns amigos atletas bem me disseram: a partir do momento que cortamos a meta dos 42 km passamos a ter uma visão da vida completamente diferente... e de nós. Afinal há coragem, vontade, força, determinação e animo que nos move até à meta. Afinal não somos tão fracos assim. Afinal somos capazes!!
Este ano propus-me a efetuar, novamente, a perípécia de correr a maratona. O plano que irei cumprir será mais reduzido (8 a 12 semanas). Como tal, neste momento, apenas vou metendo alguns kms nas pernas mediante a minha vontade e a ritmos tranquilos. 
No meio disto tudo sinto a ausência de algo que me impede de ter o mesmo entusiasmo de há um ano atrás: o desconhecido. Sei já o que é correr 42 km. A novidade dissipou-se... mas também sei que não há provas iguais! No entanto sinto a falta de um ingrediente para apimentar o entusiasmo e cravar a determinação.  Aquelas "borboletas" no estômago voaram para longe. As palpitações incomuns não surgem quando falo na maratona. Ou então... amadureci as minhas perspetivas e sensações quanto a esta "miúda". 
Provavelmente, com o inicio do plano, a motivação retorne... mas continuo a sentir que falta algo... mas o quê?
Preciso acionar o filtro para conseguir rumar  aos 42 km!




terça-feira, 30 de junho de 2015

Meia Maratona de Gondomar: ;)

Sou apologista de que as provas, quer meias maratonas quer de 10 ou 15 km, agendadas a partir do mês de abril até ao mês de outubro, deveriam ter início às 8h da manhã. Além de estar uma temperatura aceitável para correr a própria assistência médica teria bem menos trabalho, uma vez que haveriam menos atletas desidratados, com insolações e mais não sei quantas mazelas aliadas ao calor. Além disso, os atletas terminavam a horas decentes para tomar um banho e confratenizarem com os amigos. Isto sim, seria o ideal.

A Meia Maratona de Gondomar tinha hora marcada para as 10h da manhã. A minha esperança é que estivesse aquele nevoeiro tipico de zonas perto do mar. Nada disso! Um sol quente e a temperatura ambiente a rondar os 27º. Tranquilizava-me saber da existência de sombras ao longo do percurso.
Pequena mas grande equipa!
Acompanhada pelo Veríssimo, o Miguel Queirós e o Miguel Barros, chegámos à Marina do Freixo bem cedo. A Ana Martins teve a amabilidade de nos levantar os dorsais e o ponto de encontro era ali mesmo. Entretanto chega o Angelo para me acompanhar e servir de lebre durante a prova. Para completar a festa chegou o Gonçalo Pereira. Entre asneiradas e conversas do nada, a Ana chega e distribui os dorsais. Uma miúda fantástica! Bem, para completar esta fase tive o prazer de conhecer, pessoalmente, o António Cabral. Muito simpático (acho que ainda somos da família :D), atencioso e muito determinado. Muito gosto, mesmo.
Fui encontrando pessoas conhecidas, outras que me reconheciam e cumprimentavam. Falavamos como se nos conhecessemos desde sempre.  As maravilhas da corrida!
Encaminhamo-nos para a partida e eu sentia-me cada vez mais nervosa... receava o calor ao longo da prova. O meu desassossego prendeu-se com a má experiência que tinha vivido no fim de semana anterior (aquecimento anormal do corpo com nauseas e tonturas). Não queria passar pelo mesmo!
O Angelo acalmava-me com brincadeiras e dizia que não me iria faltar água. O tiro de partida demorava a ser dado. O calor apertava, tremia de ansiedade, doia a cabeça, a pulsação estava acelerada antes mesmo de iniciar a corrida. Sabia que só acalmaria quando ligasse o GPS debaixo do pórtico. 
Com 10 minutos de atraso disparou o pelotão rumo à conquista dos 21 km (outros dos 10 km). Segui calmamente e controlei o impeto de disparar pelo asfalto adiante. Segui serena e tranquila. Toda a ansiedade anterior dissipou-se. O Angelo não se calava, o Gonçalo ajudou na festa. Eu, menina disciplinadita, evitei, a muito custo, falar.
Com este miúdo foi festa durante 21km
Não precisei de água até ao 1º abastecimento o que significou que o meu hipotálamo estava a funcionar na perfeição. A partir dali foi sempre a aproveitar as sombras, a escutar alguns atletas a chamar por mim e desejar uma boa prova, a acatar as dicas que a minha "lebre" ia dando, a apreciar as maluqueiras que o Angelo fazia e sempre atenta ao ritmo. Aliás, ele fazia questão de me indicar sempre o  melhor caminho, além de ser um chuveiro ambulante. Sempre a deitar água, a perguntar se precisava de mais e um sem número de atenções para eu não ceder ao cansaço e manter a hidratação do corpo. 
Com isto tudo os kms foram sendo conquistados e senti que o ritmo estava aceitável, quase sem entrar em esforço. Nos últimos kms já senti-a o cansaço e o efeito do calor a tomar conta de mim, mas a minha "muleta" foi incansável na motivação. Só tinha duas opções: correr ou correr. No penúltimo km sinto um súbito enjoo e vontade de vomitar... inadvertidamente encosto-me à berma e só pensava: "Agora não. A meta é já ali. Aguenta rapariga!" Inspirei forte e acelerei até à meta.
Quase na meta...
1h 58m. Foi um tempo muito razoável, embora, quando terminamos, ficamos sempre com a sensação que poderiamos ter feito melhor. Mas fiz o aceitável  sem entrar em sofrimento. Não senti qualquer dor e o esforço foi sempre controlado. 
Sensação: Feliz
Com esta prova fiz as pazes com a Meia Maratona. Vigo foi um teste, Cortegaça foi recheada em desmotivação. Ontem tinha várias forças motrizes a incentivar-me. Os meus amigos e todos aqueles que por mim passavam e gritavam palavras de estimulo. Tinha também as palavras do meu "track coach" a dizer: " Vai com calma mas com determinação." já para não falar do guardião dos meus passos. Sem dúvida, uma prova fantástica!

Bons amarantinos e amigos!! TOP


Percurso: Agradável, onde o rio Douro nos brindava com as suas magnificas curvas. Algumas subidas mas nada de muito alarmante, embora, com o calor, tornaram-se dificeis. As sombras foram ouro e os atletas aproveitaram-se bem delas.

Organização: Razoável. Abastecimentos recheados de água, mas faltou isotónicos no 3º abastecimento e no final. Atraso no tiro de partida, e, num dia de calor como o de ontem, era evitável.
Após a meta não havia bananas, nem maçãs, nem isotónicos. Apenas água. Muito fraco neste aspeto. 
Para conseguir a medalha tinhamos que descer um caminho onde já circulavam os carros... pouco cómodo. Ainda lá vi uma bolas de berlim, mas pediam 1€. Não estou a ver os atletas a correr com moedas para depois ir pagar para comer algo após a prova. Insólito! Colocar chips na sapatilha já está ultrapassado. 
O público não foi muito efusivo, ao longo do itinerário. Tinham de ser os atletas a pedir aplausos. Só na parte final é que existia algum incentivo. 

Ambiente: Tipicamente de festa. Boa disposição, convívio, alegria, muita conversa e muita camaradagem. É disto que eu gosto. :)

Em suma: Terminei a temporada de provas contente por ter recuperado a motivação e força para correr. Gostei da prova pela importância que lhe tinha atribuido e conseguir os pequenos objetivos a que me propus.

Agradecimento: Redobro os agradecimentos aos meus colegas de viagem, que me deram força e até fotografias tiraram. A todos que por mim cruzaram e lançaram votos de boa sorte. Ao meu orientador dos treinos destas últimas 4 semanas e ao incansável Angelo. Obrigada a todos!
Este não se cansa!

Os próximos dias serão de descanso e, lá mais para a frente, iniciarei os treinos para a minha querida Maratona.

Até breve! ;)



sexta-feira, 12 de junho de 2015

Nada acontece por acaso


Somos seres um tanto enigmáticos. 
Começamos a correr por alguma razão ou motivo muito fortes. Ou então apenas porque vimos outros a correr e seguimos seus passos. Agarramo-nos à corrida como se fosse um dos bens mais preciosos que temos. 
Se, na fase primitiva, custa ter animo para correr, depois tornámo-nos dependentes das sapatilhas. A sofreguidão pela corrida é tanta que se chega ao ponto de anular ou alterar planos de fim de semana porque... há treino ou prova. Passa a ser a primeira opção entre inúmeras possibilidades.
Está a chover? Qual é o problema? É dia de correr, é para correr!
As temperaturas rondam os 30º, calor sufocante, quase não se respira... mas o corpo tem de se adaptar a tudo. É para correr!
Manhã ou tarde geladas. Os pés e as mãos doem de tanto frio. Ficava melhor no quentinho da casa? Talvez, mas se não correr o mau humor ataca! É para correr!
Sensação final: bem estar, boa disposição, criatividade no auge, corpo relaxado, alegria no coração e  uma lista infindável de aspetos positivos que, quem corre, bem conhece. 

Como somos seres emocionais, há alturas em que perdemos o rumo e... paralizamos. Deixamos de controlar a invasão de sentimentos negativos. A alegria é derrubada e sobrepõem-se a tristeza. O sorriso é substituido por uma fronte cabisbaixa e marcada pelo pranto. Olhar distante e vazio. Aperto na garganta e no estômago. Não há vontade em nada e tudo custa. Queremos estar no nosso canto pois ninguém tem de aturar as nossas "neuras". Apenas os amigos, aqueles verdadeiros amigos (raros) que nos escutam, dizem o que precisamos escutar e só não nos dão um par de estalos porque... não querem magoar as mãos.  
Correr? Não apetece... mas temos de ir. Mas não apetece... A custo se faz meia dúzia de quilómetros. No final aparece aquele bem estar de que falei. Mas é momentaneo. Em pouco tempo somos catapultados para o estado N. E os dias sucedem-se em mais do mesmo na zona de conforto. Quilómetros feitos, indiscriminadamente, para dizer que foram corridos. Não há objetivos... apenas correr porque é vicio e para afastar negativismos. Apanhar vento, sol ou chuva nas fuças, sentir as pernas doridas e buscar uma leveza de espirito transitória. 

Perante esta letargia, eis que surge uma força motivacional inesperada. Uma orientação cuidada e assertiva que não deixa margem para o desleixo ou para a indisciplina. Fazer quilómetros com inteligência! 
Irrompe um objetivo a atingir que nos obriga a sair, obrigatoriamente, da zona de conforto. Não há tempo para pensar em "parvoices lamechas". É acionado o filtro e adapta-se o "zoom" ao  propósito pretendido. 
Antes de cada etapa desponta um certo estado de ansiedade e dúvidas temporárias da nossa capacidade de superação.  Mas é tudo fruto da responsabilidade no cumprimento de cada estádio. Há um ajuste na disciplina, projeção da auto estima e as pequenas etapas são vencidas, uma de cada vez.

Sou daquelas pessoas que crê que nada acontece por acaso. Tudo tem uma razão de ser e acontecer. No entanto, nem sempre sabemos fazer a leitura correta no imediato. Mas o tempo, a seu tempo, elucida!
Em suma, há sempre uma "mão" que aflora e que nos levanta a cabeça, quando só vimos o chão. A razão disso? Um dia teremos a resposta.
Assim como necessitamos de olhar em frente, inspirar fundo, para recuperar o fôlego de um treino mais exaustivo, também, na vida,  temos de levantar a cabeça e descobrir o que o horizonte nos reserva... porque há sempre uma razão para continuar!


domingo, 10 de maio de 2015

Meia Maratona de Cortegaça - Contrastes!

Feita!
Tendo já ultrapassado a dúzia de meias maratonas, em nenhuma delas senti tanta vontade em desistir como hoje, em Cortegaça. Nem mesmo em Lisboa, que a fiz sem treinos e com um gémeo ligado. Mas como é possivel existir essa vontade num percurso fantástico como o de Cortegaça? Como é possível ter vontade em desistir se as mazelas sentidas foram sendo controladas com alterações de ritmo? Como é possivel ter vontade em desistir se até na maratona não a tive? E se disser que até vontade tive de desistir de todas as provas que estou inscrita? Já aconteceu isto a alguém? Como é possível pensar em desistir... se esse verbo não combina comigo? Afinal, em que estado é que estou?
Sem dúvida que somos seres estranhos e nem sempre temos o controlo das nossas fraquezas. Embora tenha treinado para esta prova, o corpo negou-se fazê-la. Comecei bem  mas pouco depois queria correr e as pernas não andavam. Ao 5º km começaram os queixumes do gémeo, e, mais à frente, do joelho. Foi aqui que as fragilidades tomaram conta de mim. Quis mesmo desistir!!! Muito negativismo me passou pela cabeça. 
Mas há sempre uma "luzinha" que nos diz "Não! Falta pouco! A este ritmo acabas bem!" A boa companhia faz milagres. Mesmo que as pernas cedam, o incentivo está ali. No entanto, nem sempre essa motivação é suficiente. É algo que tem de vir de dentro. Mas o meu interior estava a dar-se à derrota e não gostei. 
Acabei por pedir ao meu companheiro de corrida, Gonçalo Pereira, para seguir e eu acompanhei um outro colega que estava em dificuldades. Aos 17 kms também este me pediu para avançar. Aqui tomei um pouco de fôlego e corri até à meta com o alento da curta distância que faltava, mas contrariada por ter permitido que a fraqueza tomasse conta de mim.
Terminei com muitos incentivos na reta final o que me alegrou o coração. 
Depressa deparei que este não era o meu melhor dia para correr. Nunca em prova alguma desta natureza eu tenho sono durante a viagem! Fico com a adrenalina no máximo e converso imenso... hoje não. Bateu uma forte vontade de dormir!
Quando chego a casa, após o banho e almoço, gosto de escrever sobre o evento ou então passear um pouco... hoje não! Aterrei no sofá e dormi o resto da tarde!! É a primeira vez que isto me acontece! Decididamente hoje não era o meu dia!

Grupo A.D. Amarante
 Foi este o grupo da A. D. de Amarante que participou, hoje, na Meia Maratona de Cortegaça. 
Todos eles tiveram uma boa prestação na prova. Quero referenciar o Davide por ter conseguido o seu recorde pessoal nesta distância. Muitos parabéns!

Agradeço ao Gonçalo pela excelente companhia durante 16 kms. 

A minha próxima aventura está agendada para dia 28 de junho, na Meia de Gondomar... falta saber se estarei em melhores condições!

sábado, 18 de abril de 2015

Proatividade


Tenho vindo a refletir um pouco sobre a realização de treinos em formato individual. Nem sempre é fácil sair para correr quando temos como móbil de motivação a vontade. Esta nem sempre está no seu auge. Tem quebras alucinantes. Nestas alturas é a determinação quem dá um empurrãozinho.

Após um declive no gráfico da vontade em correr, esta fez uma curva ascendente e voltei a chispar kms... mas algo mudou! Passei a realizar os treinos sozinha. Tenho sentido um certo gozo em fazê-lo pelas sensações positivas que me tem ofertado. Além de escolher os horários e percursos que mais me convém para correr, também auto desafio-me no cumprimento do treino estruturado. Reporta-me para muitos dos treinos que fiz para a preparação da maratona. Obriga-me a ser proativa! Concentro-me mais na minha postura ( que  não é das mais corretas) a correr e foco a atenção no meu próprio ritmo. Treinar sozinha é sinónimo de me encontrar, de me conhecer e de me disciplinar. Exige de mim uma maior força psicológica e determinação!
Naturalmente que treinar em grupo tem também inúmeras vantagens. O incentivo dos colegas quando estamos a quebrar, a despreocupação com o percurso definido, a possibilidade de trocar duas de letra e a descontração pelo convívio.
Aqui refiro-me aos verdadeiros grupos de treino, que se interajudam, motivam, parabenizam cada progresso, felicitam e aplaudem cada chegada à meta, independentemente do tempo que façam, pois o principal está feito: participar e conseguir finalizar! Há uma amizade inerente! No entanto, nem sempre isto é assim tão linear...
Há alturas em que treinar a "solo" é uma boa opção e é aqui que entra a proatividade. Eu e esta "menina" temos andado de mãos dadas. A relação  é recíproca! :)
Para ajudar na concretização das tarefas previstas, têm surgido companhias de treino inusitadas e... motivadoras!

Quando se corre por carolice e os nossos objetivos são modestos (usufruir da corrida, do meio envolvente, diversão, ter fôlego para duas de conversa, cortar a meta com um sorriso sem ligar a tempos, fazer amizades, aproveitar o convívio...), o mais relevante é sair para treinar, umas vezes sozinho, outras em grupo, mas treinar. O corpo e a mente agradecem!!