terça-feira, 25 de agosto de 2015

Semana 1: Crónica do Aquiles

 17/8 a 23/08


Iniciei, no dia 17, a epopeia metodológica de treinos para a Maratona. Com isto não significa que, nas semanas anteriores, tenha dado boa vida às sapatilhas. Galgaram bons quilómetros mas sem pré definições ritmicas e temporais. Defini-os como treinos em autonomia. 
A semana não começou mal, mas eis que surge uma operação stop nos treinos devido a uma "flechada" no meu calcanhar de Aquiles esquerdo. Mais abaixo passarei a explicar. Agora segue o quadro de treinos previstos e o que a rapariga conseguiu efetuar. 


2ª feira
3ª feira
4ª feira
5ª feira
6ª feira
Sábado
Domingo
PREVISTO
15' aquec. + circuito força
10' + Tabata + 5' retorno
Descanso
15' rolar + 2' lento + 15' a 5:00 + 2' lento + 15' a 4:50 + 5' retorno
Descanso
Descanso
Rolar 1:20, com subidas e descidas
EFETUADO
15' aquec. + circuito força
10' + Tabata + 5' retorno
Descanso
Descanso
15' rolar + 2' lento + 15' a 4:55 + 2' lento + 15' a 5:05 + 5' retorno
Descanso
Descanso forçado


















Resumindo esta primeira etapa, na segunda feira realizei o aquecimento na bicicleta estática. Seguiram-se 30` do chamado circuito de força, ou mais simples ainda, suar em quatro metros quadrados. Comecei com a prancha, passei pelos lombares, visitei os abdominais, continuei pelos agachamentos, levantei os biceps, contraí os tríceps e finalizei com alongamentos. 
Terça feira foi dia de fazer alteração de ritmos com a Tabata. O treino totalizou 5 km. Curto mas potente. Na parte final do treino sinto uma pequena dor no calcanhar. Gelo e massagem a dor parecia ter desaparecido. Ao caminhar tudo bem, mas à palpação tudo mal. O calcanhar tinha sido "flechado" por uma  inflamação. 
Seguiram-se dois dias de descanso para que o dito do Aquiles tivesse paz e sossego. Mimo, gelo, massagem e banhos de água nas praias do norte, o certo é que me pareceu bem melhor na sexta feira. Decidi arriscar fazer o treino nesse dia. Nos 2 minutos iniciais ainda senti incómodo, mas dissipou-se à medida que rolava. Tentei cumprir as médias estipuladas, mas, na última rodada já sentia apenas energia para fazer o retorno à calma. Totalizei 10 kms. O previsto foi quase cumprido. Valeu o esforço. Nos alongamentos não senti tensão no tendão, mas quando decidi tocar-lhe ele deu ares da sua "desgraça". Mais gelo, mais massagem e gel anti inflamatório. 
Fim de semana rumei a Viseu. Fui preparada para fazer o treino de domingo na Mata do Fontelo. Tal não se veio a concretizar. Ao caminhar os primeiros passos, após sair da cama, o Aquiles  estava aborrecido. Abortei o treino e coloquei o calcanhar novamente na cama. Durante o dia, mesmo andando com uns saltos de 8 cm, ele não refilou. Presumo que seja um bom agoiro.

Por questões de segurança, e, uma vez que não dependo da corrida para colocar pão na mesa, vou fazer um interregno parcial aos treinos de estrada, durante uma semana ou, mais sensatamente, até não sentir qualquer dor no dito Grego. Vou optar por tirar o pó à bicicleta estática e realizar uma sequência de exercícios que não solicitem o esforço do calcanhar.
Com tratamento, descanso e mimos espero não me ver grega para curar o afamado tendão.

Até à Semana 2 e bons treinos! 


terça-feira, 11 de agosto de 2015

HÁ FEST... em Amarante Night Run


AMARANTE NIGHT RUN, o evento surpresa, que aglomerou mais de um milhar de pessoas, no largo de S. Gonçalo, para participarem numa corrida/caminhada de 5 km, num percurso citadino, parte dele, pelas magníficas margens do rio Tâmega. 
O A.N.R. estava integrado na programação do HÁ FEST!, o festival que celebra a Semana da Juventude em Amarante, de 5 a 12 de agosto. Um projeto novo e inovador, apresentado pela Autarquia, com diversas atividades artísticas direcionadas para os jovens. Entre a dança, arte, música, cultura, o desporto também não podia faltar.
Amarante Night Run, organizado pela Associação Desportiva de Amarante com o apoio da Câmara Municipal, resumiu-se a um grandioso momento de festa desportiva, com a participação de pessoas de todas as faixas etárias e diferentes preparações físicas. Desde o bebé de colo ao atleta mais experiente. A noite encheu-se de luz e vida ao longo de 5 km. Amarante respirou animação, convívio, desporto e boa disposição. Finalizou com a largada de balões luminosos.

O dia foi atarefado para os elementos que  integraram os bastidores da organização deste evento. 
A minha parte iniciou a meio da tarde com a separação da lista geral de inscritos por grupos alfabéticos. 
Preparativos
Em S. Gonçalo já os indícios de festa eram visíveis. O pórtico foi colocado assim que o trânsito ficou interdito naquela rua. A música já soava e alguns transeuntes aproximavam-se para questionar qual a natureza do evento. Informações aqui, conversas ali, chegou a hora de armar a tenda para o secretariado. Os membros do voluntariado apareceram à hora marcada e as indicações das tarefas a realizar foram dadas. Um agradecimento especial aos voluntários pela ajuda prestada. 
Criadas quatro filas para levantamento dos kits, todos os braços foram poucos para tamanha azáfama. Nem consegui ver que tipo de coreografias foram utlizadas na aula de zumba, que antecedeu a partida da corrida. Apesar de alguns contratempos, tudo foi solucionado. 
Consegui gravar a partida do evento e, após uma pequena corrida até ao rio, registei a passagem do comboio de atletas, quer em corrida, quer na caminhada.
Aliar o desporto, sorrisos, alegria e boa disposição às margens do rio Tâmega, tornaram estas mais belas e a cidade mais colorida.


No final, enquanto aguardavam pelo lançamento dos balões luminosos, criou-se um ambiente descontraido e animado entre os participantes. O clima era de festa. A boa disposição estava marcada em cada rosto. O evento foi, sem sombra de dúvida, um sucesso. Arestas a limar? Naturalmente que sim, mas recordo e reforço que o tempo dado para organizar esta atividade resumiu-se a três semanas. Mesmo com esta condicionante, foi conseguido um evento de sucesso, com perspetivas de continuidade.


Fica aqui o meu registo em FOTOS e vídeo. 









terça-feira, 28 de julho de 2015

Pelo Gerês...

As férias iniciaram com nota 10. Quem me lê pode deduzir, pelo título do post: "A rapariga decidiu fazer uns treinitos, para os lados do Gerês."
Correr está dentro dos planos de férias, mas há exceções. Este fim de semana teve, como prioridade, caminhar em trilhos e desfrutar da paz que o Gerês tem o dom de ofertar.
Vista para a Albufeira

24 julho, chegada a Vilar da Veiga. Após colocar os pertences na "alegre casinha" com vista priveligiada para a Albufeira da Caniçada, foi necessário abastecer o frigorífico. De mochilas às costas, seguimos em direção à Vila do Gerês, para 4 km de caminhada. Mochilas atestadas o retorno foi feito com muita conversa e animação. 
A noite convidou a um passeio pela vila. Inadvertidamente, reparo numa indicação a anunciar um espetáculo de "Stand up Comedy", com Zé Pedro. Entre olhares de concordância, seguimos para o auditório. Embora imprevisto, acabou por ser um excelente momento de boa disposição.
25 de julho acordou com um sol radiante, prenúncio de um dia quente e convidativo para aproveitar o que a natureza tem para nos presentear.
Regra: não olhar para baixo!
Após uma rápida visita à Pedra Bela e fotos da praxe, seguimos até à Portela do Homem. Deixámos ali o carro e caminhámos até à Ponte de S. Miguel. Aqui  visualizámos a queda de água e o poço que atrai imensos visitantes. No final da ponte iniciamos o caminho de acesso às Minas dos Carris, mas antes ainda deu para registar a queda de água e o poço cristalino.
Seguimos pelo trilho empedrado, tendo como companhia uma vegetação densa, o som melodioso da água a correr, o chilrear dos pássaros e o esvoaçar colorido das borboletas. Do nosso lado esquerdo engalanava-se a Encosta do Sol.
3 km percorridos, fizemos uma pausa para ir a banhos numa das magníficas lagoas do Rio Homem. As águas limpidas e transparentes convidavam a permanecer ali o resto do dia...
Delicioso!
... mas o nosso intuito não era esse. Ingerimos algo ligeiro e colocámos os pés no trilho. O meu estômago estava virado do avesso devido a um café que tomei ao pequeno almoço. Tive de lutar contra a má disposição durante uma boa parte do caminho. Concentrei-me no piso e na paisagem e a indisposição dissipou-se.
Parte fácil do percurso! :D
À medida que os kms passavam, a vista era extremamente soberba. As pedras e pedregulhos acompanharam-nos em 98% do percurso. A vegetação deu lugar a uma zona árida. Estavámos já a uma altitude significativa e o calor apertava. Valeu-nos uma brisa que consolava a passada.
Soberba!
Pudemos apreciar as cabras a saltitar, as vacas a pastar, mas, por incrível que pareça, não encontramos cobras a rastejar...!
Apanhada...
10 km feitos e as Minas dos Carris apareceram no nosso campo de visão. Assim que transpus aquele que foi, outrora, o portão de entrada, o chão estava atapetado de excrementos, essencialmente, bovinos. Mais parecia a casa de banho do público animal. A visita foi rápida pois o cheiro era insuportável, mas a paisagem era deslumbrante.
A chegar...
A descida foi feita pelo mesmo caminho, mas exigiu uma maior concentração. Um pé mal colocado e poderia ser a ruína do passeio. Parámos apenas uma vez para beber água e comer fruta. Aproveitámos para absorver toda aquela imponência natural. Duas horas e pouco após termos iniciado o retorno, chegámos à Portela do Homem. Momentos depois já absorvíamos aquele verde extasiante e arrebatador do parque.
Única!
Para terminar o dia, estiquei as pernas na varanda, tendo como pano de fundo a Albufeira e a calma que a água me transmite. Descontração total.
Domingo foi dia de seguir desde a Pedra Bela até à Cascata do Arado de mochila às costas. Desta vez o trajeto era bem mais fácil.
Fiquei um pouco dececionada quando chegámos à Cascata e a água era quase inexistente. Galgámos as pedras nuas do rio e estendemos a toalha junto a uma das pequenas lagoas.
Alguém descobre as 2 GREEN?
Aquilo mais parecia uma romaria. Os visitantes trepavam pelas pedras, pelos caminhos acidentados que ladeavam a cascata, tudo era válido só para chegar à queda de água. Com pouco sossego, decidimos almoçar e deitar os pés à estrada. De regresso, os locais destinados para piqueniques estavam repletos de familias. O Gerês abarrotava de visitantes.
Para terminar a nossa estadia decidimos usufruir das águas do rio Caldo e Gerês, a escassos metros da casa que nos acolheu.
Despedida
O registo fotográfico não foi extenso. A nossa preocupação era sentir e gravar na memória todos os locais e cenários que visualisámos.
Na hora da partida a nostalgia apoderou-se da alma. A vontade de ficar naquela envolvência apaziguadora, naquele verde relaxante, naquele cheiro a paz... era enorme. Mas as obrigações trouxeram-nos à realidade.
O Gerês é encantador pelos diferentes tons naturais, pelas magestosas elevações, pelos seus recantos mágicos, pela especificidade inerente e por ser... o Gerês.
Um fim de semana neste paraíso soube, definitivamente, a pouco... mas o pouco que foi, foi estupendo!


segunda-feira, 20 de julho de 2015

A "Suadela" do piquenique!


O grupo
Identifiquem a diferença entre esta foto e a seguinte!


Verão, calor, sol, natureza... tempo convidativo para uns piqueniques ao ar livre e deixar, por um dia, o treino de lado. 
Ontem, 19 de julho, a maioria dos elementos do grupo de atletismo dos veteranos da Associação Desportiva de Amarante, reservou o dia para a confraternização. Entre amigos, familiares, comida, bebida, conversa e risadas, o domingo foi de puro convívio e animação. 
Esmiuçando esta introdução, tal como tem sido hábito, nos últimos 2 anos, no final da "época" de provas, resolvemos realizar um piquenique para repor animos, atualizar conversas, travar novos conhecimentos, contar piadas, reacender risadas e, a melhor parte, comer e beber. Não vou citar o nome de todos os presentes pois, além de sermos cerca de 30, quando chegassem a metade da lista já estariam a bocejar. Assim, só pelas fotos introdutórias dá para imaginar a dimensão do banquete e as carinhas larocas presentes.
A Lagoa de Freixo de Baixo foi, mais uma vez, o local selecionado para a festança. Um local aprazível, com um espaço verde fenomenal aliado uma piscina natural onde é possível ir a banhos, quer de água quer de sol.
Como a procura do lugar é muita, tivemos que ir cedo para conseguir mesas no sitio mais amplo. 
Desta vez pude contar com a presença dos meus pais e meu irmão, o que tornou o dia ainda mais interessante. 
Apeamos os carregos típicos de quem pensa levar a cozinha arrastos para um dia fora de casa, e fizemos o reconhecimento do local para preparar o estômago para o repasto. Outros elementos agruparam-se no bar ali existente para o cafézinho vital que lhes iria dar alento para a Sauna que os esperava junto ao grelhador.
Conversa ali, brincadeira acolá, passeio mais além, chegou-se a hora de "aquecer" as grelhas e cozinhar as carnes. 
Tudo foi naturalmente organizado: uns grelhavam, outros auxiliavam, alguns apreciavam, uns conversavam e outros fotografavam. Tarefas devidamente divididas, como se pode deduzir. 
Hora de manducar. Pratos, talheres, copos saltaram das pilhas de sacos, os pratos começaram a ficar ornamentados e coloridos. Os copos dificilmente estavam vazios (atenção, bebi pouco!) porque as "fontes" pareciam inesgotáveis.
Quanto às sobremesas era cada uma a melhor, o problema mesmo era  existir espaço no estômago para tanta coisinha boa. Não posso esquecer de referir que, durante este período de "atestar o depósito", a diversão foi imperatriz.
Seguiu-se o momento do café na esplanada. Parte das cadeiras ali existentes foram rapinadas por nós. 
O resto da tarde foi passado entre conversas, muita animação, banhos, fotos, reabertura da parafernália de sacos e arcas para a segunda parte do festim. 
Finalizou-se o dia com a foto do grupo para mais tarde recordar.
Nestas linhas resumi o dia de ontem que foi, sem sombra de qualquer dúvida, fantástico. São estes momentos de descontração, camaradagem e convívio que ficam e que ligam as pessoas. 
A todo o grupo obrigada pelo grande dia e no próximo ano há mais!

Segue-se o link das fotos. (É só clicar em FOTOS)





quinta-feira, 16 de julho de 2015

Destino... 42 km!




Há um ano atrás, por esta altura, já tinha iniciado o plano traçado para fazer a maratona. Foram 18 semanas de disciplina, empenho, dedicação e... muito cuidado para não atrair lesões. Durante esse período aprendi a controlar a minha ansiedade, a moderar o esforço e a obedecer ao plano mesmo quando o corpo ou as circunstâncias me desfocavam.
As 18 semanas culminaram numa prova tranquila em que o objetivo foi concluir, bem, feliz e sem mazelas. O propósito foi conseguido! 
O que ficou da maratona? Tal como alguns amigos atletas bem me disseram: a partir do momento que cortamos a meta dos 42 km passamos a ter uma visão da vida completamente diferente... e de nós. Afinal há coragem, vontade, força, determinação e animo que nos move até à meta. Afinal não somos tão fracos assim. Afinal somos capazes!!
Este ano propus-me a efetuar, novamente, a perípécia de correr a maratona. O plano que irei cumprir será mais reduzido (8 a 12 semanas). Como tal, neste momento, apenas vou metendo alguns kms nas pernas mediante a minha vontade e a ritmos tranquilos. 
No meio disto tudo sinto a ausência de algo que me impede de ter o mesmo entusiasmo de há um ano atrás: o desconhecido. Sei já o que é correr 42 km. A novidade dissipou-se... mas também sei que não há provas iguais! No entanto sinto a falta de um ingrediente para apimentar o entusiasmo e cravar a determinação.  Aquelas "borboletas" no estômago voaram para longe. As palpitações incomuns não surgem quando falo na maratona. Ou então... amadureci as minhas perspetivas e sensações quanto a esta "miúda". 
Provavelmente, com o inicio do plano, a motivação retorne... mas continuo a sentir que falta algo... mas o quê?
Preciso acionar o filtro para conseguir rumar  aos 42 km!




terça-feira, 30 de junho de 2015

Meia Maratona de Gondomar: ;)

Sou apologista de que as provas, quer meias maratonas quer de 10 ou 15 km, agendadas a partir do mês de abril até ao mês de outubro, deveriam ter início às 8h da manhã. Além de estar uma temperatura aceitável para correr a própria assistência médica teria bem menos trabalho, uma vez que haveriam menos atletas desidratados, com insolações e mais não sei quantas mazelas aliadas ao calor. Além disso, os atletas terminavam a horas decentes para tomar um banho e confratenizarem com os amigos. Isto sim, seria o ideal.

A Meia Maratona de Gondomar tinha hora marcada para as 10h da manhã. A minha esperança é que estivesse aquele nevoeiro tipico de zonas perto do mar. Nada disso! Um sol quente e a temperatura ambiente a rondar os 27º. Tranquilizava-me saber da existência de sombras ao longo do percurso.
Pequena mas grande equipa!
Acompanhada pelo Veríssimo, o Miguel Queirós e o Miguel Barros, chegámos à Marina do Freixo bem cedo. A Ana Martins teve a amabilidade de nos levantar os dorsais e o ponto de encontro era ali mesmo. Entretanto chega o Angelo para me acompanhar e servir de lebre durante a prova. Para completar a festa chegou o Gonçalo Pereira. Entre asneiradas e conversas do nada, a Ana chega e distribui os dorsais. Uma miúda fantástica! Bem, para completar esta fase tive o prazer de conhecer, pessoalmente, o António Cabral. Muito simpático (acho que ainda somos da família :D), atencioso e muito determinado. Muito gosto, mesmo.
Fui encontrando pessoas conhecidas, outras que me reconheciam e cumprimentavam. Falavamos como se nos conhecessemos desde sempre.  As maravilhas da corrida!
Encaminhamo-nos para a partida e eu sentia-me cada vez mais nervosa... receava o calor ao longo da prova. O meu desassossego prendeu-se com a má experiência que tinha vivido no fim de semana anterior (aquecimento anormal do corpo com nauseas e tonturas). Não queria passar pelo mesmo!
O Angelo acalmava-me com brincadeiras e dizia que não me iria faltar água. O tiro de partida demorava a ser dado. O calor apertava, tremia de ansiedade, doia a cabeça, a pulsação estava acelerada antes mesmo de iniciar a corrida. Sabia que só acalmaria quando ligasse o GPS debaixo do pórtico. 
Com 10 minutos de atraso disparou o pelotão rumo à conquista dos 21 km (outros dos 10 km). Segui calmamente e controlei o impeto de disparar pelo asfalto adiante. Segui serena e tranquila. Toda a ansiedade anterior dissipou-se. O Angelo não se calava, o Gonçalo ajudou na festa. Eu, menina disciplinadita, evitei, a muito custo, falar.
Com este miúdo foi festa durante 21km
Não precisei de água até ao 1º abastecimento o que significou que o meu hipotálamo estava a funcionar na perfeição. A partir dali foi sempre a aproveitar as sombras, a escutar alguns atletas a chamar por mim e desejar uma boa prova, a acatar as dicas que a minha "lebre" ia dando, a apreciar as maluqueiras que o Angelo fazia e sempre atenta ao ritmo. Aliás, ele fazia questão de me indicar sempre o  melhor caminho, além de ser um chuveiro ambulante. Sempre a deitar água, a perguntar se precisava de mais e um sem número de atenções para eu não ceder ao cansaço e manter a hidratação do corpo. 
Com isto tudo os kms foram sendo conquistados e senti que o ritmo estava aceitável, quase sem entrar em esforço. Nos últimos kms já senti-a o cansaço e o efeito do calor a tomar conta de mim, mas a minha "muleta" foi incansável na motivação. Só tinha duas opções: correr ou correr. No penúltimo km sinto um súbito enjoo e vontade de vomitar... inadvertidamente encosto-me à berma e só pensava: "Agora não. A meta é já ali. Aguenta rapariga!" Inspirei forte e acelerei até à meta.
Quase na meta...
1h 58m. Foi um tempo muito razoável, embora, quando terminamos, ficamos sempre com a sensação que poderiamos ter feito melhor. Mas fiz o aceitável  sem entrar em sofrimento. Não senti qualquer dor e o esforço foi sempre controlado. 
Sensação: Feliz
Com esta prova fiz as pazes com a Meia Maratona. Vigo foi um teste, Cortegaça foi recheada em desmotivação. Ontem tinha várias forças motrizes a incentivar-me. Os meus amigos e todos aqueles que por mim passavam e gritavam palavras de estimulo. Tinha também as palavras do meu "track coach" a dizer: " Vai com calma mas com determinação." já para não falar do guardião dos meus passos. Sem dúvida, uma prova fantástica!

Bons amarantinos e amigos!! TOP


Percurso: Agradável, onde o rio Douro nos brindava com as suas magnificas curvas. Algumas subidas mas nada de muito alarmante, embora, com o calor, tornaram-se dificeis. As sombras foram ouro e os atletas aproveitaram-se bem delas.

Organização: Razoável. Abastecimentos recheados de água, mas faltou isotónicos no 3º abastecimento e no final. Atraso no tiro de partida, e, num dia de calor como o de ontem, era evitável.
Após a meta não havia bananas, nem maçãs, nem isotónicos. Apenas água. Muito fraco neste aspeto. 
Para conseguir a medalha tinhamos que descer um caminho onde já circulavam os carros... pouco cómodo. Ainda lá vi uma bolas de berlim, mas pediam 1€. Não estou a ver os atletas a correr com moedas para depois ir pagar para comer algo após a prova. Insólito! Colocar chips na sapatilha já está ultrapassado. 
O público não foi muito efusivo, ao longo do itinerário. Tinham de ser os atletas a pedir aplausos. Só na parte final é que existia algum incentivo. 

Ambiente: Tipicamente de festa. Boa disposição, convívio, alegria, muita conversa e muita camaradagem. É disto que eu gosto. :)

Em suma: Terminei a temporada de provas contente por ter recuperado a motivação e força para correr. Gostei da prova pela importância que lhe tinha atribuido e conseguir os pequenos objetivos a que me propus.

Agradecimento: Redobro os agradecimentos aos meus colegas de viagem, que me deram força e até fotografias tiraram. A todos que por mim cruzaram e lançaram votos de boa sorte. Ao meu orientador dos treinos destas últimas 4 semanas e ao incansável Angelo. Obrigada a todos!
Este não se cansa!

Os próximos dias serão de descanso e, lá mais para a frente, iniciarei os treinos para a minha querida Maratona.

Até breve! ;)



sexta-feira, 12 de junho de 2015

Nada acontece por acaso


Somos seres um tanto enigmáticos. 
Começamos a correr por alguma razão ou motivo muito fortes. Ou então apenas porque vimos outros a correr e seguimos seus passos. Agarramo-nos à corrida como se fosse um dos bens mais preciosos que temos. 
Se, na fase primitiva, custa ter animo para correr, depois tornámo-nos dependentes das sapatilhas. A sofreguidão pela corrida é tanta que se chega ao ponto de anular ou alterar planos de fim de semana porque... há treino ou prova. Passa a ser a primeira opção entre inúmeras possibilidades.
Está a chover? Qual é o problema? É dia de correr, é para correr!
As temperaturas rondam os 30º, calor sufocante, quase não se respira... mas o corpo tem de se adaptar a tudo. É para correr!
Manhã ou tarde geladas. Os pés e as mãos doem de tanto frio. Ficava melhor no quentinho da casa? Talvez, mas se não correr o mau humor ataca! É para correr!
Sensação final: bem estar, boa disposição, criatividade no auge, corpo relaxado, alegria no coração e  uma lista infindável de aspetos positivos que, quem corre, bem conhece. 

Como somos seres emocionais, há alturas em que perdemos o rumo e... paralizamos. Deixamos de controlar a invasão de sentimentos negativos. A alegria é derrubada e sobrepõem-se a tristeza. O sorriso é substituido por uma fronte cabisbaixa e marcada pelo pranto. Olhar distante e vazio. Aperto na garganta e no estômago. Não há vontade em nada e tudo custa. Queremos estar no nosso canto pois ninguém tem de aturar as nossas "neuras". Apenas os amigos, aqueles verdadeiros amigos (raros) que nos escutam, dizem o que precisamos escutar e só não nos dão um par de estalos porque... não querem magoar as mãos.  
Correr? Não apetece... mas temos de ir. Mas não apetece... A custo se faz meia dúzia de quilómetros. No final aparece aquele bem estar de que falei. Mas é momentaneo. Em pouco tempo somos catapultados para o estado N. E os dias sucedem-se em mais do mesmo na zona de conforto. Quilómetros feitos, indiscriminadamente, para dizer que foram corridos. Não há objetivos... apenas correr porque é vicio e para afastar negativismos. Apanhar vento, sol ou chuva nas fuças, sentir as pernas doridas e buscar uma leveza de espirito transitória. 

Perante esta letargia, eis que surge uma força motivacional inesperada. Uma orientação cuidada e assertiva que não deixa margem para o desleixo ou para a indisciplina. Fazer quilómetros com inteligência! 
Irrompe um objetivo a atingir que nos obriga a sair, obrigatoriamente, da zona de conforto. Não há tempo para pensar em "parvoices lamechas". É acionado o filtro e adapta-se o "zoom" ao  propósito pretendido. 
Antes de cada etapa desponta um certo estado de ansiedade e dúvidas temporárias da nossa capacidade de superação.  Mas é tudo fruto da responsabilidade no cumprimento de cada estádio. Há um ajuste na disciplina, projeção da auto estima e as pequenas etapas são vencidas, uma de cada vez.

Sou daquelas pessoas que crê que nada acontece por acaso. Tudo tem uma razão de ser e acontecer. No entanto, nem sempre sabemos fazer a leitura correta no imediato. Mas o tempo, a seu tempo, elucida!
Em suma, há sempre uma "mão" que aflora e que nos levanta a cabeça, quando só vimos o chão. A razão disso? Um dia teremos a resposta.
Assim como necessitamos de olhar em frente, inspirar fundo, para recuperar o fôlego de um treino mais exaustivo, também, na vida,  temos de levantar a cabeça e descobrir o que o horizonte nos reserva... porque há sempre uma razão para continuar!