quinta-feira, 31 de março de 2016

Calcorrear pelo Gerês

Sob um ponto de vista desprendido... o paraíso existe! O paraíso é um conceito que apresenta variáveis aos olhos de cada um. O paraíso de que falo é, naturalmente, o Gerês. 


Quando lá fiquei colocada um amigo disse-me que não podia ter obtido melhor colocação. Na altura achei que ele fumava umas ervinhas! Longe para caraças e distante do meu filho... mas pensei que ele estivesse a dizer para me encorajar. Poucos dias após lá estar, adaptar e sentir o que me rodeava... retirei a parte de "fumava umas ervinhas"!
 
Inicialmente corria em modo solitário e não arriscava muito, quer por receio quer  por desconhecimento. Quer dizer, cheguei a arriscar umas 2 ou 3 vezes...  Com o tempo fui conhecendo mais pessoas que corriam ou queriam correr e... junta-te a eles, rapariga!!!!
Com um pequeno grupo pude ir além dos percursos em asfalto. Alinhei em pequenos  trilhos sinuosamente belos e magnificamente intensos. 
Contornar a Albufeira da Caniçada foi o que mais adrenalina me injetou. 
 
 
 
Subir à Pedra Bela pelo trilho dos Currais a iniciar na Vila do Gerês foi outro expoente das minhas aventuras. 






 
 
Se correr é eletrizante, caminhar é relaxante. Surge o Festival Anual das Caminhadas. Não podia perder a oportunidade de participar em caminhadas guiadas imbuídas de histórias ancestrais. Trilhos de Sta Isabel  e Rebordochão foram os escolhidos entre os 5 existentes. Resumidos em palavra e meia: fabulástico!
 
 
 
 
 
 
 






Não vou alongar-me mais dado que as imagens falam por si. 
Com os dias na maioridade avizinham-se jornadas fantásticas. Possivelmente serão aqui retratadas, apresentadas e descritas.

Até breve!!




































quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

II Meia Maratona de Amarante - Sucesso bisado!

Após meses a estruturar e a edificar este projeto, finalmente chega o dia. A 2ª edição da Meia Maratona António Pinto - Cidade de Amarante saiu à rua!


14 de fevereiro era esperado com um misto de ansiedade e confiança.
Ansiedade derivada às condições meteorológicas adversas. Temos capacidade para solucionar imprevistos e outras situações palpáveis, mas contra a Natureza, a batalha está perdida.
Confiança por haver a certeza que todos os pontos estavam ligados e nenhum ficara solto.

Os dias que antecederam a prova não foram nada amistosos. Muita chuva e o caudal do Tâmega ainda ameaçou galgar as margens. Mas não passou da intenção!
Entre secretariado e resolução de situações pontuais, tudo estava bem encaminhado. A articulação entre todos remetia para um evento bem sucedido.

O domingo acordou invernoso. Frio, vento e chuva... embora o Sol conseguisse aparecer de quando em vez.
Foram muitos os telefonemas que recebemos de atletas a questionar a realização ou não da prova, devido ao mau tempo. Essas dúvidas deixaram muitos atletas inscritos em casa. Contudo, foram bastantes os guerreiros e audazes participantes que fizeram parte desta festa desportiva. 
A hora aproximava-se do tiro de partida. Entre cumprimentos, abraços e desejos de boa prova, fui tentando analisar se tudo estava controlado. Bem... nem tudo! No último momento surgiu algo incalculado... Mas, a verdade seja dita, é nestas situações circunstanciais que mostramos a nossa união e boa vontade. Problema solucionado! As resoluções aparecem sempre quando as coisas estão destinadas a correr bem!
Arranque da prova

O tiro de partida foi dado... apenas com uns segundos de atraso pois a "pistola" ficou entalada. Tiro dado, arrancamos rumo a 21 kms de pura adrenalina.
Enorme pelotão!
Após virarmos no primeiro retorno (1º km) é que verifiquei a quantidade de atletas que não se assustaram com o tempo. Foi magnifico ver aquele pelotão cheio de cor, euforia e motivação para os próximos 20 km. Deleitei-me com tal visão. Foi eletrizante!. Verdadeiros guerreiros.
Quase no 1º km!
Sempre a controlar a frente da corrida, houve momentos de pura diversão, embora o Juiz estivesse 101% atento. A Sandra Bras, em bom momento, foi repescada para motorista. Não desfazendo, mas foi memorável! Obrigada Sandra!
Que lindas que somos!
No largo de S. Gonçalo senti o calor da população a aplaudir e a motivar os atletas, apesar do frio.
Na Alameda escutei o soar dos Bombos de Santa Maria de Jazente liderados pela Eugénia Magalhães que, gentilmente, se prontificaram a animar a prova. 
No largo do Arquinho também a concentração de pessoas era imensa. Nem a chuva e o frio deteve os verdadeiros apoiantes do desporto.
À medida que percorríamos o percurso constatei que os voluntários estavam excelentemente posicionados, recebendo largos elogios por parte do Juiz. Os agentes controlavam, profissionalmente, todas as passagens secundárias e caminhos, zelando pela segurança da prova.
Foi estupendo fazer o 2º retorno e ver de frente todos os atletas. Poder deixar um polegar levantado em forma de apoio e um sorriso como motivação. A Sandra chegava a abrir o vidro para incentivar.
O grupo de bombos de S. Simão, dirigidos por Renato Silva, deram uma alegria especial ao momento em que passamos por eles.
A zona da meta estava ao rubro. Ouvia-se o Speaker, Nelson Pais, a elevar o tom de voz e expressar efusivamente o nome dos atletas da frente da corrida. A emoção estava no auge!
Rui Teixeira bisou a vitória desta prova.
Sara Moreira, madrinha do evento,  vence o setor feminino.

As pessoas aplaudiam! Os atletas iam cortando a meta com aquele sorriso de mais uma etapa concluída. Exaustos mas felizes, os abraços sucediam-se, as felicitações eram imensuráveis. Alguns recordes pessoais foram atingidos. O prazer de correr e terminar estava marcado em cada rosto. Momentos únicos esses!
Pessoalmente, estava de coração cheio! Inadvertidamente dei por mim a suspirar, tal era a comoção. Parabenizaram a organização, a simpatia e a nossa disponibilidade.
Sabendo que  os atletas são cada vez mais exigentes soube muito bem escutar: "Estão de parabéns! Adorei a prova! Muito técnica, exigente mas bela! Para o ano voltarei!"
Bem, podem pensar que é exagero meu, pois acabo por ser suspeita. O ideal é lerem este comentário de alguém que tem muitos quilómetros nas pernas e muita experiência em corridas. Falo de Victor Carvalho:

Pura e simplesmente FABULOSO!!!!!!
Hoje fiz a Meia Maratona Amarante. Oportunidade para rever o meu amigo de tantos treinos António Pinto, mas o que é de realçar é como uma pequena cidade consegue fazer uma prova tão boa!!!
Ninguém pense ir lá fazer tempos, mas todos aqueles que fazem Maratonas na Primavera (o meu caso), aproveitem esta prova, para fazer um excelente treino de força em face da diversidade do percurso.
Um percurso extremamente difícil, mas fabuloso. O verde, a paisagem, o rio, o som das quedas de água durante o percurso, mas também o silêncio, onde somente a nossa respiração e o chapinar das nossas sapatilhas nos acompanhavam!!
Organização 5 estrelas. Não faltou nada e senti enquanto corria, que fazia uma prova genuinamente Portuguesa, naquilo que nós somos enquanto povo. A fanfarra dos bombeiros!!!, não a vi mas ouvia durante muito tempo, e a imagem, que nunca mais vou esquecer, daquele idoso e seus amigos, que na sua casa térrea e no seu longo alpendre, num domingo frio e chuvoso, descobriram aconchego num bom copo de vinho tinto e um naco de uma qualquer broa, conversavam amena-mente, enquanto a sua porta, passavam corpos molhos e exaustos!!!
Parabéns ao pelouro de desporto da Câmara de Amarante e a toda a organização, principalmente a quem tanto luta pela implementação desta prova, a Elisabete Ribeiro. Minha querida amiga, vergo-me perante tamanho feito. Tu e toda a equipa estão de parabéns e desde já vos quero dizer, que enquanto tiver forças, "vão ter que levar comigo"..."

Está tudo dito!
Eu, neste momento só tenho umas notas finais a dizer. Não pensem que é fácil organizar uma prova destas quando cada elemento do corpo organizativo tem a sua profissão, por vezes, distante de casa, e família. São muitas horas a trocar ideias, tratar de burocracias, ordenar tarefas, alinhar opiniões e mais uma infinidade de trâmites para que, no dia D, tudo esteja operacional. O nosso trabalho sempre foi pautado pela reciprocidade, respeito, confiança, dedicação e amor à causa. Contudo, o resultado enche-nos de orgulho e satisfação porque, sem dúvida, a união faz a força.
Fazer parte desta equipa foi, mais uma vez, uma aventura. Por isso... que a aventura continue!!
Uma equipa gloriosa: António, Davide e aqui, a rapariga!
É a altura de endereçar um especial agradecimento:
  • A todos os voluntários que, corajosamente, estiveram presentes para ajudar a que nada faltasse aos atletas, mesmo com imenso frio e chuva;
  • Aos agentes presentes em todo o percurso que zelaram pela segurança da prova; 
  • A todos os elementos que se disponibilizaram a ajudar no secretariado;
  • A todos os atletas das modalidades da A.D.A. que colaboraram para o sucesso deste evento;
  • Aos imensos fotógrafos que fizeram registos memoráveis dos participantes.
  • Ao Município de Amarante por todo o apoio prestado;
  • A todos os patrocinadores que muito contribuem para a consistência desta prova.
  • Aos amarantinos que não ficaram em casa e auxiliaram nesta festa desportiva.
  • A todos os participantes da Caminhada que, mesmo debaixo de chuva, não deixaram de exercer uma boa prática desportiva aliada a uma boa causa.
Um muito obrigada ao Hugo Silva pela sua dedicação, amizade, ajuda e profissionalismo. Uma simbiose perfeita que resultou num desfecho brilhante.
Obrigada Hugo!

Aos atletas muitos parabéns pela excelente prova realizada e conseguida! Foram todos uns audazes vencedores! 2017 é já ali!
ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA DE AMARANTE, ÉS GRANDE!

A Associação Desportiva de Amarante está cada vez mais na vanguarda do desporto, mais consistente nos seus objetivos e a elevar a fasquia de qualidade a um nível de excelência.
Um enorme bem haja a toda a A.D.A.

Um dia intenso, emotivo e inesquecível. Vou ser repetitiva mas... fiquei de coração a transbordar!

A terceira edição já se encontra no horizonte... e mais não adiantarei para que se crie alguma expectativa! 


CLASSIFICAÇÕES




segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Meia Maratona de Amarante em Conferência... e em Gala!



Faltam menos  de 2 semanas para a realização do evento, mas este fim de semana a Meia Maratona de Amarantre teve um especial relevo.
Vejamos; na sexta feira foi dia da apresentação oficial da prova na Conferência de Imprensa que se realizou no Salão Nobre dos Paços do Concelho.
Elisabete Ribeiro, António Mendes, António Pinto, Vereador André Magalhães e Davide Pinheiro
Um Conferência breve, simples mas bastante informativa onde ficou manifestamente expresso ótimas perspetivas para esta 2ª edição. Não me alongo na descrição, deixando aqui o vídeo. Sei que poderão rir-se do momento em que falo, mas têm que concordar que falar para as câmaras e uma plateia não é tarefa fácil. :)



Apresentação da prova feita, segue-se, no sábado, a 4ª edição da Gala do Desporto, Cidade de Amarante. A Associação Desportiva de Amarante estava nomeada em várias categorias (mais à frente irei referi-las) inclusivé para o Evento Desportivo do Ano 2015 em que as opções recairam sobre:
Nomeados

Como se pode constatar são três eventos organizados pela A.D.A. e, todos eles, de grande projeção desportiva. A Meia Maratona de Amarante foi a distinguida.

Naturalmente que é um orgulho enorme para mim esta distinção, uma vez que faço parte da equipa integral da organização deste evento. 
Pelos vistos não me sai mal!
Sem dúvida um reconhecimento de todo o trabalho e empenho dedicado a esta causa e que originou um verdadeiro sucesso. Equipa, estamos de parabéns!
No entanto, não posso deixar de referir e evidenciar que este prémio é também dos restantes eventos selecionados, uma vez que "nasceram da mesma mãe" e o seu êxito foi preponderante e efetivo.

Tal como referi seguem-se as nomeações da Associação Desportiva de Amarante e as devidas distinções nesta Gala:
Evento do Ano: I Meia Maratona António Pinto/Cidade de Amarante (Atletismo)
Dirigente do Ano: António Daniel Mendes
Treinador do Ano: João Varejão (Andebol)
Atleta Feminina Desportos Individuais: Ana Ferreira (Trail)
Prémio Armandinho: António Pereira
Mérito Desportivo:
José Carvalho (Canoagem)
César Duarte (Trail)
Equipa Andebol Séniores Masculinos
Momento de Campeões:
Equipa Voleibol Séniores Femininos
Equipa Andebol Infantis Masculinos
Equipa Andebol Iniciados Masculinos
Equipa Andebol Séniores Masculinos
José carvalho (Canoagem)
Parabéns a todos nós que, de uma forma ou de outra, tentamos levar a A.D.A. mais longe. 
Meia Maratona de Amarante a caminho de mais um sucesso!

Agora as cenas dos próximos episódios ficam reservadas para o dia 14 de fevereiro, que promete ser um dia desportivamente apaixonante. ;)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Viana - a prova em treino de divulgação!

O domingo passado foi dia de ir a Viana. Estive até à última a decidir se iria ou não. Depois a dúvida era se corria ou não. Acabei por ir e correr. Mas vamos à história.
Olha o Gil Eanes ali atrás! :)

Desde a magnífica Meia Maratona do Gerês que a vontade de correr caiu a pique. Não tinha ânimo nem regalo em criar novos objetivos. Aos fins de semana, ao invés de fazer um treino mais longo, aproveitava o tempo para estar com meu filho. Durante a semana ia fazendo meia dúzia de kms só para dizer que as pernas estavam a mexer. Correr pelo Gerês é muito bonito, mas fazê-lo sozinha tem muito que se lhe diga.  
Inscrevi-me na Meia de Viana no final de dezembro, a ver se a vontade em treinar renascia. Hummm, não foi a formula milagrosa para regressar com ânimo expectável!
Na última semana antes da prova lá me apliquei a fazer 2 treinos de 10 km para minorar o sofrimento. Com motivação dada por amigos, convenci-me que a podia fazer... não olhando para o relógio. O facto de ter de divulgar a Meia de Amarante foi mais um motivo para estar presente e correr. 
Vamos mexer as pernas até Amarante!
O dia estava gelado e a chuva ameaçava cair. O meu filho acompanhou-me nesta aventura e ficou a ajudar os colegas do grupo a entregar os flyers da nossa prova. 
Decidi correr com a máquina fotográfica e fazer alguns registos ao longo do percurso. Iria ter tempo para o fazer! 
Com um frio do catano, aglomeramo-nos antes do pórtico da partida. A proximidade dos atletas apaziguou o estado gélido em que me encontrava. Conversa ali, cumprimento acolá... e deu-se a partida. O Ângelo Vidal decidiu acompanhar-me, mais uma vez, abdicando de fazer um bom resultado, para fazer uma prova na versão de treino dialogal.
Vais à Meia de Amarante? Lá te aguardo! :)
Arrancamos lentamente e, à medida que conquistávamos kms, foram vários os atletas que metiam conversa sobre a Meia de Amarante devido à alusão feita na minha tshirt. Prontamente dei-lhes as respostas que pretendiam e corria-se em amena cavaqueira. Corria, conversava e ia fotografando quando possível. Embora tivesse levado relógio, não olhei para ele muitas vezes.
Preocupou-me sim, a partir do 10º km o calcanhar esquerdo e a bolha que se estava a formar no pé direito. Abrandei e não pensei muito nisso. Mais uma conversinha ali, apanhar umas tangerinas acolá, pedir palmas mais adiante e foi assim que cheguei aos fantásticos, mas sofríveis, 2 últimos kms.
Na reta final foram vários os incentivos que recebi, incluindo do meu filho que estava ali, debaixo de chuva, à espera da mãe. Um doce!
Escusada!
Merecida!
Na chegada à meta olhei o relógio do pórtico e vi 2h 10m. :)
Se, para muitos poderá ser um tempo vergonhoso, para mim é um tempo glorioso. Correr não é só operações matemáticas entre minutos gastos e kms percorridos. Correr está no ir. Podia ficar na caminha mas perdia uma oportunidade de conviver, conversar, (coisa que não gosto nada de fazer ah ah ah ah) partilhar, cumprimentar amigos de quem já tinha imensas saudades, divulgar a nossa cidade e o nosso evento, apanhar um frio do "caraças", tomar banho quase 2h depois e não ficar resfriada. E claro, ganhar 2 medalhas: a oficial e uma enorme bolha rebentada no pé. :)
Por isto e por muito mais estou de parabéns. E também sou uma campeã, tal como todos os que cortaram a meta. Porque os campeões são todos os que vão e fazem!
Só tive pena de ter ido a Viana e não comer uma bola de berlim do Natário. Quando pensei lá ir o meu filho alertou que estavam esgotadas.
Bolas de berlim à parte, acabou por ser uma manhã recheada de boas sensações.
A todos os meus amigos, conhecidos, conhecidamente desconhecidos, muitos parabéns pela prova conseguida e finalizada!

No final disto sinto que me está a despertar novamente o prazer de correr. Tenho de me encontrar e encontrar uma prescrição que me auxilie nesta tarefa.
Enquanto a procuro, continuo na preparação e organização da Meia de Amarante, já a 14 de fevereiro. Espero lá por vós! ;)






segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Sou blog há 3 anos


Dá a sensação que há pouco escrevi sobre o 2º aniversário deste blog, e já passaram mais 365 dias! Mas é mesmo verdade... já são 3 anos que o Corridas e Suadelas faz parte da blogosfera da corrida... e não só.
O rescaldo, deste último ano, em termos de provas realizadas não foi o mais abastado. Ficou resumido a 4 meias maratonas. Dito assim até dá a impressão que ando "fraquinha". Nada disso! Foram vários os fatores que me influenciaram ao longo deste 2015. 
No início do ano estava condicionada devido a dores no gémeo direito. Em meados do ano fisicamente estava bem... mas motivos pessoais arrasaram com a minha vontade e motivação para correr. Quando me tentei agarrar aos treinos para a maratona surge a tendinite no tendão de Aquiles. Passei a ficar na bancada a ver correr e a maratona ficou adiada. Após semanas parada, finalmente consegui correr a meia maratona do Gerês com poucos treinos. Embora seja uma prova difícil, valeu a pena esperar para a fazer.... é uma das provas mais belas que existe.
Quando não se pode correr há sempre interessantes alternativas para colmatar esta lacuna. Aventurei-me a percorrer alguns trilhos fabulosos dos Picos da Europa, com um grupo fenomenal que deixou vontade em repetir a odisseia.
Há pouco falei de uma das meias maratonas mais belas e disse bem... porque há outra não menos bela: a Meia Maratona de Amarante. Acreditem, é mesmo! ;)
Em janeiro vimos uma meia maratona percorrer a cidade e arredores de Amarante! Foi, sem dúvida, um dos eventos mais importantes, mais dinamizadores e mais envolventes desta cidade. A 2ª edição está a caminho e promete ser mais um sucesso.
A par da Meia Maratona há também o Amarante Christmas Trail. Dois eventos que já são a predileção de imensos atletas. Não esquecer o estreante Amarante Night Run. A coleção de sucessos de eventos, dentro da A.D.A. está a proliferar! 
2015 foi assim, poucas provas corridas mas envolvi-me para que outros corressem ou ficassem com um registo para "mais tarde recordar"...
Para 2016 já tenho um grande e audaz objetivo... mas fica em segredo, por agora. Entretanto vou criando pequenos objetivos para que a desmotivação não bata à porta e pôr as pernas a mexer.
Quero deixar um enorme obrigada a quem me segue e me lê. A cada leitura, visita ou comentário vosso é-me injetado doses de incentivo para continuar. Muito grata a todos vós e encontrámo-nos  em 2016 num post, algures, por aí. ;)



quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Meia Maratona do Gerês - 2ª parte

Especial conquista!
O grande dia acordou frio mas a anunciar um dia soalheiro.
Acordei cedo. Queria tomar o pequeno-almoço antes das 8h para não ter sobressaltos durante a prova. A ansiedade tomou conta de mim e estava agitadíssima.
A sala das refeições do Hotel Adelaide estava repleta de atletas. No ar sentia-se a expectativa dos estreantes e a confiança dos repetentes. Este ambiente turbinou o meu receio. E se o pé não aguentasse o esforço? Sabia que as subidas não eram doces para o meu calcanhar e as dúvidas surgiram em catadupa. 
Durante os treinos, de quando em vez, ele dava sinal e o meu medo era mesmo ele não suportar o esforço nas subidas. 
Tentei não pensar nisso e, logo que possível, desci à Vila. A temperatura rondava os 2 graus. Muito frio!! O Angelo Vidal, mais uma vez, prontificou-se a acompanhar-me para não esmorecer e, no caso de recidiva, não estar só.
Ambiente atrás do pórtico
Quando chegámos à avenida já se sentia a agitação dos preparativos para as diferentes partidas. Os atletas chegavam de todo o lado. À medida que circulava ia encontrando alguns conhecidos, incluindo o Joaquim Costa, também de Amarante, que se aventurou na Maratona. O António Miranda, dos Lousada Runners, o Fernando Fernandes que tinhamos conhecido na véspera, na Ermida. O Ricardo e o Carlos dos Falta Muito? entre outras caras conhecidas...
António Miranda
Fernando Fernandes e Angelo Vidal
Deambulamos por ali e, de vez em quando dizia ao Angelo que só terminaria a prova bem perto das 3h. Achava que todos os presentes estavam preparados... menos eu!! Pois... o diabinho a apoderar-se de mim! Claro está que "levei logo nas orelhas". Libertei-me destes pensamentos e tentei absorver o máximo daquele calor e energia que emanava da cor dos equipamentos, do frenezim de reencontros, das gargalhadas nervosas mas felizes, dos rostos frios e ansiosos... Foi neste quadro que encontrei dois alunos meus que estavam a assistir. Uma injeção de alento. Não resisti e.. vamos à foto.
 sweet moment
Entretanto surge a contagem decrescente para a maratona, 13 km e 1º segmento estafeta dos 42 kms. 
Registei a partida!
Estava a chegar a nossa hora. Posicionados na direção inversa da maratona, tentamos descontrair um pouco, conversando com este e aquele, saltitando para espalhar o frio mas a ansiedade era brutal. No meio destas tentativas encontrei o Vitor Dias, coordenador geral do Correr Por Prazer. Mais uma troca de palavrinhas onde o tema era... corrida!
Vitor Dias
9h15m, arrancamos suavemente pela Vila abaixo e, nesse momento, todos os meus receios desvaneceram-se.
Rua abaixo por António Cabral
 O ambiente era estrondosamente magnífico! 
Os 2 km de descida serviram para um aquecimento antes de iniciar a imensa subida, rumo à aldeia da Ermida. Neste entretanto vejo o António Cabral de bicicleta a chamar por mim. Mas a bicicleta ficou enciumada e zás... atirou com o António ao chão. Felizmente, não se magoou... mas fiquei preocupada :/ 

Começa a ascenção.
Rua acima por Angelo Vidal
Como não fui para sofrer, alternei corrida com caminhada ligeira nas zonas que exigiam mais. O Angelo não parava de tirar fotos e orientar o meu esforço.
À medida que conquistava kms deixei de pensar em possiveis dores para  passar a absorver o explendor que me envolvia. Passei a correr com o coração. Sentir o Sol a aquecer o corpo, as cores de outono a pintar a alma e os parceiros de percurso a preencher o sorriso.
Com Claudia Pinto
Daniela Barbosa

Ao chegar à Ermida tive uma receção calorosa que me fez transbordar de alegria. Ouvi as vozes singelas de 2 alunos meus a dar "Força, professora Elisabete!" Arrepiei-me!!! Não resisti... e vamos à foto! Escutei-os mesmo quando já não me alcançavam à vista. Memorável!!
Outro sweet moment
Subir a calçada portuguesa dentro da aldeia foi outro ponto alto da prova. Magnifico!
Abastecimento com direito a fruta, marmelada, bolo, chá, isotónico, tostas... ingeri laranja, banana e um quadrado de marmelada. Ali já estavam agrupados alguns atletas. Seguimos mais ou menos juntos e orientamos as subidas entre corrida, caminhada ligeira, conversa e... fotografia.
Oupa, vamos lá subir um pouco mais!
Mas sabem o que mais me fascinou? Foi a paz transmitida por cada paisagem alcançada e da camaradagem que se viveu a cada metro percorrido. Não houve pressa em chegar. Houve vontade em sugar cada som, cada cheiro natural, cada raio de sol a aquecer a manta morta, a iluminar as folhas persistentes... tentar reter todo aquele encanto genuíno.

A Pedra Bela era já ali. Estavam conquistados os 600m de D+ e mais de 800m em ganho de elevação. As subidas tinham terminado!
Findou a subida!
Último abastecimento antes da derradeira descida até à meta. 
Assim que comecei a descer encontro outro aluno meu montado a cavalo. Não resisti a mais uma foto. Mais um alento a aquecer o coração.
e mais um sweet moment
6 kms a descer... siga! Olhei para o relógio e levava quase 2 horas de prova. Pormenor acessório naquele contexto. O Angelo estimou a chegada com 2h35m. Eu não pensei no assunto. Corri cuidadosamente para não estragar nada na parte final. Senti um gémeo cansadito. "Cuidado miúda, falta pouco e descer nem sempre é fácil!".
Embora atenta aos sinais do corpo, o coração não se desmarcava do painel de cores de outono. A sumptuosidade natural visualmente alcançada afagava cada passada e regulava o ritmo. Articulação espontanea entre o eu e a natureza! Sublime!
Vamos à descida!
Já se escutava o som do speaker e a música da meta. Faltava 1 km e já estava com saudades do monte e dos kms conquistados!
Cruzamo-nos com atletas que já tinham terminado e injetaram a última dose de motivação. 
A meta estava ali! Senti um arrepio enorme e uma alegria imensa! O público estava muito calado e pedi palmas. Corri com o coração a transbordar de felicidade! Consegui!!
Meta transposta e um sorriso imenso! Olhei para o relógio, 2h 27m. Fantástico para quem esperava chegar bem perto das 3h. ;)
Muito feliz!
Tempos à parte, foi, indiscutivelmente, a prova mais bela que algum dia participei. 
Foi um percurso difícil? Sim, foi, mas quando se corre com emoção e prazer tudo é mais fácil.  Como descrevo esta prova? Mesmo usando todos os adjetivos e estabelecer belas comparações não é possível descrever o que é correr no Gerês. É algo que vem de dentro e se desmancha num permanente sorriso!
Correr no Gerês é correr com o coração!

Quanto à organização: Excelente! Parabéns Carlos Sá!

Em 2016 cá estarei!