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sábado, 18 de abril de 2015

Proatividade


Tenho vindo a refletir um pouco sobre a realização de treinos em formato individual. Nem sempre é fácil sair para correr quando temos como móbil de motivação a vontade. Esta nem sempre está no seu auge. Tem quebras alucinantes. Nestas alturas é a determinação quem dá um empurrãozinho.

Após um declive no gráfico da vontade em correr, esta fez uma curva ascendente e voltei a chispar kms... mas algo mudou! Passei a realizar os treinos sozinha. Tenho sentido um certo gozo em fazê-lo pelas sensações positivas que me tem ofertado. Além de escolher os horários e percursos que mais me convém para correr, também auto desafio-me no cumprimento do treino estruturado. Reporta-me para muitos dos treinos que fiz para a preparação da maratona. Obriga-me a ser proativa! Concentro-me mais na minha postura ( que  não é das mais corretas) a correr e foco a atenção no meu próprio ritmo. Treinar sozinha é sinónimo de me encontrar, de me conhecer e de me disciplinar. Exige de mim uma maior força psicológica e determinação!
Naturalmente que treinar em grupo tem também inúmeras vantagens. O incentivo dos colegas quando estamos a quebrar, a despreocupação com o percurso definido, a possibilidade de trocar duas de letra e a descontração pelo convívio.
Aqui refiro-me aos verdadeiros grupos de treino, que se interajudam, motivam, parabenizam cada progresso, felicitam e aplaudem cada chegada à meta, independentemente do tempo que façam, pois o principal está feito: participar e conseguir finalizar! Há uma amizade inerente! No entanto, nem sempre isto é assim tão linear...
Há alturas em que treinar a "solo" é uma boa opção e é aqui que entra a proatividade. Eu e esta "menina" temos andado de mãos dadas. A relação  é recíproca! :)
Para ajudar na concretização das tarefas previstas, têm surgido companhias de treino inusitadas e... motivadoras!

Quando se corre por carolice e os nossos objetivos são modestos (usufruir da corrida, do meio envolvente, diversão, ter fôlego para duas de conversa, cortar a meta com um sorriso sem ligar a tempos, fazer amizades, aproveitar o convívio...), o mais relevante é sair para treinar, umas vezes sozinho, outras em grupo, mas treinar. O corpo e a mente agradecem!!


domingo, 28 de dezembro de 2014

PARABÉNS


As Skechers marcam o 2º aniversário!

"Corridas e Suadelas" nasceu há 2 anos. Nesta fase apresenta um crescimento saudável e caminha com mais confiança e dinamismo. (perto das 17 mil visualizações)
Tem partilhado com os seus fiéis seguidores, com os leitores curiosos e todos aqueles que por ele passam, quer por curiosidade, por indicação, acidentalmente, ou mesmo, por simpatia, experiências vividas no mundo da corrida.
Este ano não foi abastado em participações nas provas de estrada. Optei por reduzir dado o grande objetivo que tinha em mente cumprir: Maratona.
Foram 9 as provas realizadas este ano, mas 1 delas a rainha: MARATONA

A preparação para a maratona preencheu 18 semanas com relatos específicos sobre os treinos previstos no plano estruturado e o que foi, efetivamente, realizado. 
Registar aqui essas 18 semanas foram fulcrais para "correr a maratona". A disciplina criada e a motivação que me era injetada, a cada relato feito, foi incentivo crescente até ao grande dia.
Todas as restantes provas foram corridas em modo de treino ou de recuperação. 
Outro grande projeto surgiu este ano e, mais uma vez, este cantinho foi palco de registo.
Promoção da Meia Maratona de Amarante
O Projeto "Meia Maratona António Pinto - Cidade de Amarante" nasceu devido ao seu caráter desafiante. Este tomou conta de mim! Abracei a ideia e, com a ajuda de amigos e entidades primordiais, o projeto deixará de ser apenas uma "ideia de anos" para se tornar uma realidade, a 25 de janeiro próximo. Uma realidade de sucesso!
Esta "caixinha" tem sido uma ligação importante a este vasto mundo das corridas. Passamos a conhecer alguém que, na realidade não conhecemos, mas como há um elo em comum, um "falar a mesma linguagem", uma compreensão imensurável de cada frase que se escreve, de cada sentimento partilhado ou cada experiência relatada. O Blog é mesmo isto, é partilhar algo para um público alvo muito especial. 
A todos os meus seguidores o meu enorme obrigada por me incentivarem a continuar, quer a correr quer a escrever... até porque se o espaço não for cultivado passa para a prateleira do esquecimento. 
A motivação é o que nos move!
A todos os restantes leitores, agradeço a visita e espero que apreciem a leitura e o espaço.

Novo ano está a chegar e muitas novidades surgirão. É tudo uma questão de... seguir!!
Um bom ano a todos!






sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Maratona do Porto - Épica!

Introdução

Hoje falo da Maratona na primeira pessoa. A respeitosa distância de 42,195 km foi um alvo que consegui alcançar graças a 18 semanas de trabalho, minimamente orientado e com alguma disciplina. 
Tenho plena consciência que tenho limites e não tenho grandes antecedentes desportivos. Iniciei-me na corrida como subterfúgio, há pouco mais de 3 anos e acabei por me viciar. A Maratona nunca esteve nos meus planos e considerava algo que nunca iria conseguir fazer. Inscrevi-me em dezembro passado para criar um objetivo a alcançar (e para aproveitar a promoção da Runporto :)). Inscrição feita, sinónimo de meta a atingir.

Os guerreiros!
2 de novembro de 2014 - Acordei muito bem disposta, apesar das poucas horas dormidas. Estava confiante e determinada. Após me juntar ao grupo, seguimos para o Porto. Desta vez alinhamos 10 veteranos da ADA na maratona e 8 na Family Race.
O grande grupo!

A viagem até ao Porto não podia ser melhor. O Davide estava eufórico e foi diversão todo o caminho. Após a típica foto de grupo seguimos para os autocarros que nos levaram à partida. A curta viagem foi igualmente descontraída e hiper divertida. Um nervosismo miudinho pairava no ar e os risos eram espontâneos a qualquer comentário. 
O grande momento aproximava-se. Sentia-me motivada e aquele mundo de cor que os atletas davam à partida, encheu-me de energia positiva. Cruzei-me com o João Campos, uma figura inconfundível e simpática, autor de " Porque a vida não é só corrida!".
Entre um mundo de corredores, alinhei na secção C com o Davide. Decidimos fazer a prova juntos para nenhum quebrar. Éramos 3 os estreantes do grupo; eu (única mulher do grupo a alinhar), o Hélder Ferreira e o José Rocha (Nelinho).
As duas amarantinas prontíssimas!
O tiro de partida estava prestes a chegar porque esta música iniciou. Simplesmente divinal! Arrepiante! Fechei os olhos e escutei. Depois... avancei, feliz pelo passeio de emoções que me aguardava.
Rotunda da Boavista. Simulação de voo!
Eu e o Davide seguimos a um ritmo confortável e sem euforias. Fizemos os primeiros 10 kms quase sem os sentir. A cada km o Davide perguntava a quem pertencia (cada km 1 pessoa). Alguma conversa, surpresas à mistura (escutar o meu nome de um 4º andar de um prédio, não é muito comum!) "Obrigada, Olivia, pela grande surpresa e por teres acordado tão cedo só para me apoiares!! Adoro tu!!!" Este momento foi mágico e deu-me um alento inimaginável!
Fisicamente não me sentia mal, apenas um ligeiro incomodo num gémeo e na coxa esquerda. Ignorei e segui tranquila.
Alegriaa!
Ao km 15 outro momento extasiante: a separação dos atletas da Family Race e os da Maratona. É qualquer coisa de sublime. Seguiam os audazes!
A viagem prosseguiu sem grandes alertas, mas o gémeo ia refilando. Senti algum receio de uma dor mais forte. Senti medo de não conseguir... Tirei estas ideias da cabeça e segui com o Davide a dizer que me queria  ver com um sorriso no lado de Gaia.
Com 21 kms feitos senti algumas tonturas e dores de cabeça, aliado ao incomodo do gémeo. Abrandei o ritmo para tentar recompor-me. Concentrei-me na postura e nos atletas que corriam ao nosso lado. O Davide motivava e ajudava na tarefa de ignorar as mazelas.
Km 25, hora de verter águas. Não dava para adiar. Aproveitei para tomar um gel, beber água e comer banana. Seguimos tranquilos até à Afurada. As dores de cabeça e tonturas tinham desaparecido mas as pernas estavam a ficar teimosas. Não as escutei. Segui de queixo levantado e sorriso no rosto.
Outra surpresa me aguardava ao km 28. O meu amigo Marco estava no km que lhe tinha sido atribuído, de bicicleta e máquina em punho. As suas palavras foram mágicas: " Vamos Elisabete! Agora é a cabeça que corre!" Potente!! As pernas ganharam logo outra vida. Grande Marco!!
Logo à frente encontrei o João Lima. Aproximei-me de forma a poder dar um "hi five" e motivação.
Km 30 foi a altura de abrandar para abastecer e alongar o gémeo uns segundos. Este simples gesto foi determinante para os derradeiros kms até à meta.
Recomeçamos e depressa senti a dor a desaparecer. Apesar do cansaço próprio, senti-me com mais energia. Não segui pelo empedrado de Gaia. Aproveitei sempre os passeios para evitar danos.
Ao km 33 começo a sentir uma dor nas costas que me prendia o movimento da perna direita. Abrandei e o Davide ganhou-me um avanço de 10 metros. Precisava reencontrar o meu ritmo e ignorar a dor. Alinhei as costas e equilibrei a passada. Parar não estava nos meus planos.
Segui nesta luta até ao km 35. Aqui bebi isotónico, água e tomei um gel.
Próxima paragem: a meta... mas, se até então era eu que vinha a orientar as mazelitas da minha estrutura óssea, a partir dali foi o Davide quem começou a sentir algumas dificuldades nos tornozelos. Tivemos de abrandar. O tlm também tocou nessa altura a confirmar a presença dos nossos filhos na meta. Mais uma força a  puxar pelo coração.
A partir do km 39 o meu corpo teve uma reação inesperada: pernas leves, respiração controlada, energia em alta e dores... que dores??? Não sabia o que eram dores nessa altura. Aliás, também não foram assim tantas que senti até ali! Só tinha vontade de acelerar, mas o Davide estava em dificuldade para me acompanhar.
Olho o mar a ser atingido pelos relâmpagos. O céu cinzento e pesado fazia prever uma enorme chuvada... e choveu!!
No km 40, já debaixo daquele dilúvio surge o Jaime, de guarda chuva. Pedi para acompanhar o Davide. Seguimos rumo à meta.
A euforia tomou conta de mim, e aqueles 2 últimos kms corri-os como se tivesse a iniciar a prova... acho que estava anestesiada ou em piloto automático. Não senti o peso de 40 kms nas pernas!
Km 42 vejo o meu filho. Ele correu até mim e dá-me a mão. Naquele momento ouço a voz do grande amigo, José Belmiro, que estava ali para dar o impulso final "Força Elisabete, falta pouco!". Ter resistentes assim na linha da meta não é para todos!
Olhei para o meu filho e o coração disparou de alegria. Imensa alegria! As lágrimas misturaram-se com a chuva. As pernas voavam, indolores. O meu filho dizia "Força mãe, tu consegues!!! Mãe, tu conseguiste!!!
Terminei os 42,195 km  num momento Épico, único e inesquecível com a minha vida... o meu Rafael! Ainda não encontrei uma foto a provar este momento, mas o registo ficará gravado no meu coração, para sempre.
O Davide também teve o privilégio de cortar a meta com o filho, graças à esposa (Elisabete Gonçalves) que aguentou com os miúdos (o meu filho e o dele) debaixo da chuva diluviana. Eles sim, foram uns verdadeiros heróis.
Assim que terminei senti uma má disposição e seguiu-se uma sessão de tentativa de vómito. Talvez uma acidose metabólica, o certo é que depressa passou.
Senti a adrenalina ao máximo nível. Sem sombra de dúvida uma viagem emocionante e uma enorme vitória pessoal. Uma satisfação indescritível, que, por muito que tente escrever, nunca conseguirei transmitir em palavras o que se sente nestes momentos.
Merecida!!

Agradecimentos:
Após ter tomado a decisão de fazer a maratona, recebi muitas mensagens de força e de motivação por parte de amigos e conhecidos que, tal como eu, são loucos pela corrida. Também houve quem não acreditasse que eu seria capaz e duvidavam mesmo que eu cortasse a meta. Mas isso tornou-me mais forte. Canalizei toda a minha atenção na preparação e nas pessoas que acreditaram em mim.
 - Assim, quero agradecer aos meus seguidores deste blog um imenso obrigado pelo apoio que me deram em todas as etapas. (Ana Pereira, João Lima, Carlos Cardoso, Filipe Torres, o meu conterrâneo, Joaquim Costa, Silvio Horta... e todos os que lêem mas não comentam)
 - Um agradecimento especial a todos os que me acompanharam durante 42 km, no pulso direito. Cada um com uma característica e motivação próprias. Mesmo os que não puderam estar presentes, estiveram em pensamento e no coração.
 - Obrigada Marco Magalhães, por estares no teu km a injetar-me energia!
 - Obrigada Olivia, pela amiga que foste e que és!
 - Obrigada Belmiro, pelo alento especial na descida para a ribeira e na reta da meta!
 - Obrigada Jaime, por estar à nossa espera debaixo de forte chuva, para nos levar à meta!
 - Obrigada Elisabete Pinheiro, por estares com meu filho no final e... por tudo!
 - Obrigada Sr António e D. Engrácia, por esperarem por nós debaixo do dilúvio.
 - Obrigada a todos os atletas que se cruzaram por mim e deram um grito de incentivo.
 - Obrigada aqueles amigos que me ligaram e enviaram mensagem a saber se tudo tinha corrido bem!
Finalmente vai um enorme agradecimento ao grande amigo, Davide Pinheiro, que sempre me apoiou e participou em grande parte da preparação. Fazer a prova em sua companhia foi decisivo para o seu sucesso. Equilíbrio e moderação foram as palavras de ordem! Mil vezes obrigada!
Agora sou... Maratonista!

Um obrigada a todos os que conseguiram ler o post até aqui e terminaram a leitura com um sorriso!
Grande Maratona!