sábado, 14 de outubro de 2017

Pedacinhos de mim... no Gerês!

Debruçando-me sobre o outono!
Quem me conhece e acompanha sabe a paixão que tenho pelo Gerês. É um tal fascínio que, meio ano sem lá ir, tange a eternidade.
Necessitava de me entranhar naquela mata e respirar natureza. Carecia de escutar o nada no alto da serra. Precisava sentir a energia que me transmite e alenta. Era emergente lá ir... e fui!
Sábado, meio da manhã, com a temperatura a lembrar o Verão, a Vila do Gerês estava movimentadíssima. Mas não era a Vila que mais me interessava. 
A primeira visita obrigatória foi ao cantinho que me acolheu: Hotel Adelaide. A magnífica  remodelação que sofreu e "está de tirar o fôlego" não apagaram as imensas e eternas recordações que dali tenho. Reencontrar, cumprimentar e abraçar quem sempre me tratou como se da família fosse, foi singular.
Ao aproximar-se as 12h, a opção natural foi almoçar ali. Um delicioso cozido à portuguesa (não deu tempo de registar) forneceu energia para a frenética tarde que se avizinhava. 
Estava entusiasmadíssima! Iria ser "guia". Iria percorrer os cantinhos que adoro, matar saudades, avivar recordações e, simultaneamente, mostrar e apresentar numa magnífica tarde de verão outonal... aliás, verão mesmo, mas em outubro. Vocês entenderam!
O primeiro local de paragem foi o miradouro do Mirante. A caminho das curvas de S. Bento, aquele miradouro é extremamente emblemático, com umas vistas fantásticas sobre a Albufeira da Caniçada, a Vila do Gerês e Vilar da Veiga. 
Do Mirante Velho
O caminho fez-se pelas curvas de S. Bento e mais uma paragem...
Nem tudo o vento levou!
O destino seguinte foi o miradouro da Boneca. Um pequeno trilho que se faz com alguma brevidade e permite apreciar a serenidade e o silêncio da serra descampada. O caminho é acessível e de baixa dificuldade. Este miradouro é igualmente muito concorrido e apreciado pela esplêndida paisagem que exibe.
Fonte da Boneca... seca

Caminho bem trilhado.

Vista do miradouro da Boneca

Outra vista do miradouro da Boneca
No regresso não podia esquecer o abrigo dos pastores, as árvores a saírem das pedras e os caprinos numa busca desenfreada por um pasto quimérico. Esta visão despe-nos da civilização e reporta-nos para a imaginável Era das comunidades recoletoras.


Abrigo dos pastores

Debaixo de um calor imenso, a viagem prosseguiu em direção ao Campo do Gerês. Uma breve passagem pela barragem de Vilarinho das Furnas. O fumo proveniente do incêndio que deflagrava em Rio Caldo, não permitiu fazer registos fotográficos. 
A mata da Albergaria chamava-me. Embrenhamo-nos no caminho de terra que liga o Campo à Mata. Queria ver as cores de outono... mas com as temperaturas altas as folhas estavam reticentes em perder a clorofila e ganhar os carotenos. O quadro outonal estava incompleto. Faltavam na paleta os castanhos, amarelos e vermelhos intensos.



Natureza animal, natural... e maternal


Paramos junto à Casa da Albergaria e à ponte de madeira por onde passa o trilho da Geira.
Passar e estar ali é transcendente. Há uma energia oculta naquele ecossistema que me deixa extasiada e eufórica. E explicar isto??




Da mata para a Portela do Homem. Havia pessoas a banharem-se na cascata de S. Miguel, apesar do seu curso de água ser diminuto. Muito movimento e confusão na estreita estrada que liga à fronteira.




O tempo urgia. Entramos numa pequena parte do trilho da Geira Romana que nos levou ao coração da Mata até à Ponte de S. Miguel, sobre o rio Homem.
Senti saudade do som da água a galgar as pedras do rio e a estatelar-se na pedra seguinte. Aquele sonido que entrava no ouvido como uma melodia... desapareceu. Compensou aquela vegetação imensa que nos guiou à ponte. Ali era visível as pedras nuas e secas. A água existente estava parada e triste. Mesmo fria sentia-a quente.



O retorno ao carro foi célere. Havia ainda a Pedra Bela a apresentar.  A curta viagem foi para apreciar a beleza peculiar da mata e daquele verde que teimava em resistir.

Ao chegarmos ao miradouro da Pedra Bela, em nada me admirou a movimentação de pessoas. É o miradouro mais simbólico e figurativo do Gerês. Muito concorrido e procurado pela excelente paisagem sobre a Vila do Gerês e a Albufeira da Caniçada.

O miradouro da Pedra Bela tem tanto de belo como de assustador mas é de visita obrigatória.
Uma curiosidade: Qual é a probabilidade de te ofereceres a tirar uma foto a um casal e seus rebentos, num miradouro na serra, e escutares: " Desculpe, mas você não é a professora Elisabete, que já aqui deu aulas? Não me está a reconhecer com os óculos?". Pois uma remota probabilidade. Mas aconteceu comigo. Coincidentemente tirei a foto ao Eric Carvalho, Atleta da Ermida Team, quem tive o prazer de conhecer aquando de uma sessão de fotos para divulgar a MMA no Gerês. Curiosidades!

Com jantar marcado para as 19h, era hora de regressar à vila. A tarde tinha decorrido como determinei e visitamos os espaços que pretendia. Muito feliz!!
Raras mas apareceram


Tinha chegado a hora de relaxar, após um aprazível passeio.
O restaurante que marcaram para o jantar era perto do hotel, então o percurso foi feito a pé. A Manuela e a Beatriz foram as primeiras a chegar. Seguiu-se a Irene e a pequena Raquel. Já estávamos nas entradas, quando chegou a Sara com a Carol e a Joana. Um agradável e soberbo jantar onde pudemos colocar alguns assuntos em dia e matar as saudades das pequenas.
Isto é... carinho!
São estes pequenos momentos que nos enche o coração e nos relembra a parte maravilhosa da minha profissão. Manuela, Sara e Irene, obrigada por serem quem são e por me terem guardado no coração!
Isto é... amizade!
 O Domingo acordou quente e convidativo para mais um passeio. Desta vez o destino foi a aldeia da Ermida. Adoro aquela aldeia e tudo o que a envolve. Uma aldeia rural mas organizada com uma população muito jovem.
Pelo miradouro da Ermida

Jovens no treino
Tive a oportunidade de cumprimentar a Olga Martins. Um reencontro muito agradável com direito a visita guiada pelos aposentos da Casa Baranda. Um cantinho aprazível e confortável.
A ronda pela Ermida tinha de passar pelo miradouro. Seguiu-se a visita à Fecha de Barjas. Umas cascatas imensamente conhecidas mas extremamente perigosas. Todos os anos são inúmeros visitantes que sofrem acidentes, alguns deles  graves, por falta de cuidado e desrespeito pelos  alertas indicados.
A Fecha vai pobre... mas bela!

Fragas acidentadas e escorregadias





Segura-te... ainda vais à água!
Mais uma vez a água era escassa e a beleza da cascata estava resumida à sua localização e à sua particularidade de ladeiras acentuadas e agrestes.
A aventura prosseguiu. Após uma breve passagem pela Cachoeira...






Paramos na Marina de Rio Caldo e ficou este registo:
Vista sobre Vilar da Veiga
Em Vieira realizava-se a Feira da Ladra. "Bora" lá dar uma volta e dar inicio ao estudo  das últimas tendências da moda contrafeita... :P
Durante estas voltas combinei com o sr. Jorge Lobo e a sua Rosinha encontrar-nos ali, em plena feira, mesmo em frente aos grandes palcos (calma, a nossa atuação não foi naquele dia). O tempo era pouco para o muito que havia a partilhar. Os temas sucediam-se e as risadas foram uma constante. Rosinha, tantas histórias daquele ano que partilhamos na mesma escola! Sr. Jorge, tantos kms feitos e partilhados em trilhos, até então, desconhecidos por mim! Deliciosos momentos!
Estes reencontros são únicos e fantásticos. Reforçam os laços de empatia e carinho que se criaram e que o tempo alicerça.
Ladeada pela Rosinha Capela e o Sr. Jorge Lobo!

E está aqui descrita a minha incursão pelo Gerês, durante este fim de semana. Quando lá vou, tendo descrever,o mais fiel possível, o que me vai na alma, mas fico com a estranha impressão de que todas as palavras que expresse nunca chegam a definir, rigorosamente o que sinto...
Divagações à parte, foi um fim de semana que deu para saldar uma pequena percentagem das saudades que nutria por aquele cantinho. Reencontrar amigos, deambular pela natureza, empoeirar-me de energia, ofegar adrenalina, sorrir entusiasmo e respirar alento é, simplesmente, metafísico... no Gerês!!
Respirar alento

Sorrir entusiasmo

Ofegar adrenalina

J.C., um gigantesco obrigada! Permitiste que pudesse partilhar estes pedacinhos de beleza natural e matasse saudade de todos eles. Obrigada por aturares meus devaneios eufóricos... mas sadios. :)

Gerês, em breve regresso!




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