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sexta-feira, 12 de junho de 2015

Nada acontece por acaso


Somos seres um tanto enigmáticos. 
Começamos a correr por alguma razão ou motivo muito fortes. Ou então apenas porque vimos outros a correr e seguimos seus passos. Agarramo-nos à corrida como se fosse um dos bens mais preciosos que temos. 
Se, na fase primitiva, custa ter animo para correr, depois tornámo-nos dependentes das sapatilhas. A sofreguidão pela corrida é tanta que se chega ao ponto de anular ou alterar planos de fim de semana porque... há treino ou prova. Passa a ser a primeira opção entre inúmeras possibilidades.
Está a chover? Qual é o problema? É dia de correr, é para correr!
As temperaturas rondam os 30º, calor sufocante, quase não se respira... mas o corpo tem de se adaptar a tudo. É para correr!
Manhã ou tarde geladas. Os pés e as mãos doem de tanto frio. Ficava melhor no quentinho da casa? Talvez, mas se não correr o mau humor ataca! É para correr!
Sensação final: bem estar, boa disposição, criatividade no auge, corpo relaxado, alegria no coração e  uma lista infindável de aspetos positivos que, quem corre, bem conhece. 

Como somos seres emocionais, há alturas em que perdemos o rumo e... paralizamos. Deixamos de controlar a invasão de sentimentos negativos. A alegria é derrubada e sobrepõem-se a tristeza. O sorriso é substituido por uma fronte cabisbaixa e marcada pelo pranto. Olhar distante e vazio. Aperto na garganta e no estômago. Não há vontade em nada e tudo custa. Queremos estar no nosso canto pois ninguém tem de aturar as nossas "neuras". Apenas os amigos, aqueles verdadeiros amigos (raros) que nos escutam, dizem o que precisamos escutar e só não nos dão um par de estalos porque... não querem magoar as mãos.  
Correr? Não apetece... mas temos de ir. Mas não apetece... A custo se faz meia dúzia de quilómetros. No final aparece aquele bem estar de que falei. Mas é momentaneo. Em pouco tempo somos catapultados para o estado N. E os dias sucedem-se em mais do mesmo na zona de conforto. Quilómetros feitos, indiscriminadamente, para dizer que foram corridos. Não há objetivos... apenas correr porque é vicio e para afastar negativismos. Apanhar vento, sol ou chuva nas fuças, sentir as pernas doridas e buscar uma leveza de espirito transitória. 

Perante esta letargia, eis que surge uma força motivacional inesperada. Uma orientação cuidada e assertiva que não deixa margem para o desleixo ou para a indisciplina. Fazer quilómetros com inteligência! 
Irrompe um objetivo a atingir que nos obriga a sair, obrigatoriamente, da zona de conforto. Não há tempo para pensar em "parvoices lamechas". É acionado o filtro e adapta-se o "zoom" ao  propósito pretendido. 
Antes de cada etapa desponta um certo estado de ansiedade e dúvidas temporárias da nossa capacidade de superação.  Mas é tudo fruto da responsabilidade no cumprimento de cada estádio. Há um ajuste na disciplina, projeção da auto estima e as pequenas etapas são vencidas, uma de cada vez.

Sou daquelas pessoas que crê que nada acontece por acaso. Tudo tem uma razão de ser e acontecer. No entanto, nem sempre sabemos fazer a leitura correta no imediato. Mas o tempo, a seu tempo, elucida!
Em suma, há sempre uma "mão" que aflora e que nos levanta a cabeça, quando só vimos o chão. A razão disso? Um dia teremos a resposta.
Assim como necessitamos de olhar em frente, inspirar fundo, para recuperar o fôlego de um treino mais exaustivo, também, na vida,  temos de levantar a cabeça e descobrir o que o horizonte nos reserva... porque há sempre uma razão para continuar!


terça-feira, 24 de março de 2015

VIG - BAY: Alta motivação!

Vigo, cá estámos nós!
Já foi no domingo, mas só hoje o trabalho permitiu um intervalo para cá vir escrevinhar algo sobre a Meia Maratona de Vigo - Baiona.
Para começar devo dizer que o facto de ser uma prova fora do país já foi hilariante... mais ainda sendo a primeira nestas circunstâncias. Simplesmente  aconselhável!

Seguimos 8 elementos para representar as cores da ADA em Vigo. Apenas sete de nós correu. O Davide ainda se encontra em fase final de recuperação devido a uma intervenção cirurgica.
Dorsais em punho... e a vaca como emplastro!
Samil já é uma parte de Vigo naturalmente encantadora, mas revestida de milhares de atletas, ficou magnifica!
A qualquer passo encontramos portugueses, ou porque os conheciamos de outras provas ou pela identidade nas camisolas.
Eu não me fiz rogar e identifiquei-me como manda o figurino. Afinal, correr no estrangeiro não acontece muitas vezes.
Contrariamente a muitas outras provas em que já participei, nesta não houve uma unica situação de stress ou nervosismo. Foi tudo feito com tranquilidade. Estacionamento atempado, levantamento dos dorsais sem problemas e ainda com tempo para trocar umas palavras com os voluntários.
Jorge Teixeira (diretor da RunPorto) entregava flyers quando o encontramos e trocamos umas palavras e uns registos fotográficos.
Com Jorge Teixeira...
A praia de Samil foi a próxima paragem. Passeio ameno, águas calmas, vento fresco e animos tranquilos. O ambiente estava, estranhamente, muito bom.
Com o relógio a seguir o seu curso, foi-se aproximando a hora de verter águas antes do tiro de partida. Os homens desenrascam-se atrás de qualquer coisa, as mulheres já não é bem assim! :)
Fui à casa de banho do  McDonalds e, quando estava a sair, qual não é o meu espanto quando escuto o meu nome. Ao virar-me dei de caras com o pediatra do meu filho, o Dr. Gimenez. Sabia que ele estaria presente uma vez que vive a poucos kms dali, mas encontrá-lo foi uma agradável surpresa!
Estão a ver? É destas surpresas que eu gosto nas provas! Mas elas não ficaram por aqui...
Com Paula Dias
Quando resolvemos fazer o aquecimento eis que encontro a Paula Dias. Uma atleta que se tornou amiga das corridas... naturalmente!
Hora de romper solas. Os 5500 atletas avançaram pela Avenida como se a meta estivesse mesmo ali... e eu entrei na empolgação!  Até ao 5º km a coisa não esteve muito bem.
Resolvi livrar-me do senso comum e correr com bom senso. Não tinha grandes treinos nas pernas e nunca superiores a 15 km. A consciência ditava calma.
Vi o balão da 1h50m...  deixei-o ir. Queria mesmo era usufruir e não estar preocupada com tempos. Ia eu a pensar nisto quando ouço meu nome... novamente! Era a Ana Maria Martins. Corremos alguns kms juntas a acompanhar um amigo dela que estava com algumas dificuldades. Naturalmente que estes kms foram feitos com conversa à mistura.
Seguia a um ritmo confortável e o apoio dado pelo público era arrepiante: " Vamos campionas! Animo! Vamos Portugal! Fuerza chica!..." É qualquer coisa bombástica, um incentivo único e mega motivante. Amei esta energia. Pena não haver esta dimensão impulsionadora do nosso público. Nós é que temos de pedir aplausos!
A partir dos 17 km comecei a ver atletas a caminhar, com dores, mas o que mais me assustou foi o número de atletas que vi no chão e em macas. Impressionante!
Entretanto já se via a meta. Os aplausos eram abismais, as vozes de "fuerza" aumentavam a cada metro que corria. Se me sentia cansada ou não, não me recordo pois  aquele aparato limpou a memória de qualquer lembrança negativa... aquilo era pura energia!!
Terminei com 2h 04m, completamente tranquila! Não estava ali para tempos mas para me divertir... e consegui! Uma verdadeira festa desportiva!
Todos os restantes colegas do grupo também terminaram bem e ficaram agradados com a prova.
Aquí estoy!
Como o Davide nos foi esperar a Baiona, acabamos por almoçar num dos jardins à beira mar a caminho de Vila Nova de Cerveira.
Mais um momento de diversão e bem estar!
Recuperar forças!

Resumindo este palavreado todo, foi uma "carrera" magnífica, organização Top e ambiente Hiper!
Em 2016 a repetir!

OBS: Segue um agradecimento especial ao Davide que, além de conseguir uma carrinha para nos deslocar a Vigo, foi esperar-nos na meta... além de ser o motorista do dia! Muchas gracias, amigo!