domingo, 13 de maio de 2018

Andanças pelos Passadiços do Vez


"A aldeia de Sistelo situa-se no concelho de Arcos de Valdevez, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gêres, junto à nascente do rio Vez. Marcelo Rebelo de Sousa promulgou em 28 de dezembro de 2017, a classificação como Monumento Nacional da paisagem cultural da aldeia de Sistelo considerado o ‘pequeno Tibete português’. A aldeia de Sistelo faz parte da Reserva Mundial da Biosfera e é candidata a património mundial da Unesco." por Aldeias de Portugal


Resolvi atender à chamada do evento "Passadiços de Sistelo" promovido pela Green Trekker, nas mão do Diogo Sá Lima e Luís Bragança. Motivos: querer bisbilhotar o outro lado do PNPG. Sair da zona do Gerês e avançar para a Peneda. Depois há um alguém dessa zona que me anda a aguçar a curiosidade destas belezas naturais. 

Sábado, 12. Cheguei a Sistelo meia hora antes do agendado. Sinal de rede no tlm ficou a zero. Incontactável para o mundo.
O grupo começou a aglomerar-se na Tasquinha da "tia Amélia", pois a chuva decidiu batizar o evento. Entretanto a chuva cessou. O Diogo fez um breve briefing e deu início ao primeiro andamento. 

Começamos com um aquecimento aos quadriceps e um teste anti derrapagem num escadario milenar, musgoso e propenso a boléus, em caso de distração.

Fizemos uma breve incursão à volta da aldeia. Atravessámos pontes romanas, subimos calçadas e até as vacas quiseram aparecer no cenário de visita. Isto tudo com a música de fundo das águas do rio. 








De regresso ao ponto de partida e, após todo o grupo reunido, seguimos em direção aos afamados passadiços, integrados na Ecovia do Vez. (segundo andamento)
Descer uma calçada acabada de ser regada com uma chuvada, atenção ou sai "trambolhada". Lá se desceu sem incidentes. 


Naturalmente ia conversando com quem estava por perto, e, naqueles confins, fui encontrar uma pessoa que tem familiares em Amarante. Incrível!
Conversa aqui e ali, a natureza conspirou a que me juntasse, naturalmente, a um grupo de meninas de boas colheitas (não fossem elas de 74) a Sandra Fernandes e a Teresa Reis. :P
Sandra e Teresa

O percurso, esse era de um encanto só. Verde e mais verde. O som da água era o tranquilizante natural.




As conversas eram tranquilas e tudo servia para rir. A animosidade foi uma constante.

Entramos nos passadiços. Aviso, perigo de escorregar. Sem dúvida, todo o cuidado era pouco, principalmente, junto às quedas de água. 
Antes do esbardalhanço do tlm

Por sorte ninguém escorregou... quer dizer, um telemóvel escorregou das mãos da Sandra Fernandes, derrapa pelo passadiço e... aparece uma amarantina e salva o dito de cair no mato. Nada de heroismos, até porque o pequeno ficou riscado. Mas vá, evitei que a Teresa (dona do tlm) e a Sandra (responsável pela queda) tivessem um colapso momentâneo. 
Carinhas de alivio. Tlm salvo!

A partir daqui a animação aumentou. O ajuntamento de mais como nós também. A não esquecer o percurso. Esse inspirava até as pedras do caminho. Sentia uma energia extasiante. Tentava absorver tudo aquilo e gravar, registar cada metro percorrido. Queria parar e ficar ali, deitada sobre uma pedra ou o chão virgem e deleitar-me com o esplendor daquela beleza e da paz transmitida pela água. Puro paraíso!





Passadiços chama Elisabete! O convívio foi do mais verdadeiro e simpático que podia haver... e galhofeiro também.






Atenção grupo, queda de água, siga para a foto! 


Semi banho à mistura e prosseguimos para pequenas subidas, descidas num ambiente preservado. 
Nos locais mais altos a paisagem periférica era de cortar a respiração (não era falta de fôlego das subidas). Os socalcos das montanhas, os animais a pastar, um cenário agreste e puro.  




O piso do caminho era variável. Maioritariamente inalterado, apenas existindo intervenção humana em pontos estratégicos, onde, de outro modo, não seria possível a passagem. 
Após 7 kms, chegou a hora de abancar para o almoço. O "restaurante" tinha uma vista priveligiada para o rio. Os bancos tinham formato de pedra corroída pela erosão e as mesas era ao desenrasque de cada um. As casas de banho estavam por todo o lado. Era só escolher. 
Entrada do "restaurante"

É só escolher o lugar


 Meia hora depois, tempo de regressar. Espera! O café!? Faltou o café. Falha do "restaurante". Aqui e ali ouviam-se preces por um café. "Animo, pessoal. Daqui a 7 km temos o café na Tasquinha." 
O regresso à aldeia foi feito de forma mais ligeira mas não menos animosa. Muita conversa e muitos registos fotográficos. Mas os verdadeiros apanhados não consegui apanhar. Naquelas descidas onde a probabilidade de escorregar era maior, eu preparava a máquina... mas ninguém "esbardalhou". E quando alguém tropeçou à minha frente, eu estava perdida a olhar para o rio. Aiiiiii! :D :D :D 
Não cai?

Quem cai???



Neste retorno, mais uma foto perto do "chuveiro". E o grupo mantinha-se ali. 
Chuveiro!!!

O calor e o cansaço já se fazia sentir. A falta do café também. Mas depressa esqueci isso. Entre conversas e incentivos, prosseguimos até à tentativa de foto de grupo. Como era de esperar, fiquei com cara de quem estava a fotografar o fotógrafo (aqui não está a minha cara, mas está o fotógrafo, que também tem direito). 


Um aspeto que não posso deixar de salientar, é que, em geral, os percursos lineares (ida e volta) tornam-se aborrecidos. Este não. Deparei-me com comentários do género "Nós subimos isto?" "Não me lembro passar aqui". Este trilho deixa a sensação de diversidade visual. 
Juntem-se que cabem no enquadramento!
Após 14 kms de beleza ímpar, de convívio fenomenal e de um bom alongamento de pernas, chegamos ao ponto de partida. 
Deixo aqui um enorme agradecimento às meninas e meninos que fui conhecendo pelo caminho e que tiveram a paciência e audácia de me aturar. Acreditem que são pessoas corajosas. :D
Foi, sem sombra de qualquer dúvida, um dia memorável e imensamente fantástico. Obrigada a todos pelo companheirismo e amizade. 
Espero voltar a encontrar-vos, algures, num trilho por aí. ;)


G.P.R.T.

PS: Ao GPRT (Grupo de Preparação da Rota das Tascas) o encontro é numa tasca a marcar. :D


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